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29 de janeiro de 2016

Carnaval: do Entrudo às Escolas de Samba.

Por Wagner Medeiros Junior

O carnaval chegou ao Brasil junto com a colonização portuguesa, com o nome de entrudo, justamente por marcar a entrada da Quaresma, que inicia o ano lunar do Cristianismo na Quarta-Feira de Cinzas. Desde o século V a Igreja Católica já comemorava essa data como um dia de festa – um “adeus à carne”, marcado por brincadeiras e muita diversão, que rapidamente se propagou por toda a Europa.
No Brasil, o entrudo passou a sofrer grandes modificações depois do século XVIII, sobretudo pelas influências de outras culturas, além da europeia. A brincadeira caseira, que consistia em jogar água de cheiro uns nos outros, chegou às ruas, ganhando um estilo rude e agressivo, com a utilização de água suja, tinturas, farinhas e até excremento, que não poupava àqueles que circulassem nas ruas.
Além da violência, há relatos de que as ruas do Rio de Janeiro, já naturalmente sujas pela carência de hábitos de higiene, ficavam enlameadas e com extremo mau cheiro, causando péssima impressão aos visitantes. Deste modo, o entrudo passou a ser reprimido pelas autoridades.
No final dos anos 30 do século XIX, a elite carioca começa a substituir o entrudo caseiro pela fantasia, inspirada nos bailes de máscaras de Paris e nas comemorações carnavalescas italianas. Passa, então, a desfilar em carruagens, percorrendo as ruas da cidade com destino aos clubes. Esta tradição evolui para o desfile organizado em grandes carros enfeitados, que deram origem às Grandes Sociedades.
Essas Grandes Sociedades ganham imensa popularidade utilizando do sarcasmo e humor. Por isto, passam a disputar o carnaval entre si, em desfiles que durariam por mais de um século.
Depois, no início dos anos 70 dos oitocentos, surgiu o Rancho Carnavalesco, com fantasias variadas e instrumentos musicais de corda e percussão. De origem mais popular, o Rancho utilizava elementos das tradições negras e das procissões religiosas, com seus pastores e pastoras, porta-bandeiras e mestre-salas, entre outros figurantes. A primeira marchinha do carnaval brasileiro, “Ô abre alas”, foi composta por Chiquinha Gonzaga especialmente para o rancho “Cordão Rosa Preta”, em 1899.
Já a Escola de Samba é uma manifestação autenticamente popular, nascida no Rio de Janeiro, que mescla a cultura predominantemente africana a elementos das Grandes Sociedades e dos Ranchos Carnavalescos. No entanto, o principal elemento é o próprio samba, que teve origem no Recôncavo Baiano - o “samba de roda”, introduzido na capital do império na segunda metade do século XIX.
A primeira Escola de Samba do Brasil foi a “Deixa Falar”, fundada no Rio de Janeiro em 18 de agosto de 1928 por um grupo de boêmios do bairro carioca do Estácio, sob a batuta de Ismael Silva, que teve a ideia de organizar um bloco inspirado no samba, com evoluções próprias.
Segundo estudiosos, o termo “Escola de Samba” surgiu porque a “Deixa Falar” fazia os seus ensaios ao lado de uma Escola Normal situada na rua do Estácio. Dai juntaram o nome “escola” ao “samba”.
Com o sucesso da “Deixa Falar” a Escola de Samba foi se proliferando por outros bairros. Então surgiram a “Estação Primeira”, que depois também passou a se chamar Mangueira, a “Cada Ano Sai Melhor”, a “Vizinha Faladeira”, a “Vai Como Pode” (atual Portela), entre inúmeras outras escolas, que foram crescendo e se modernizando.

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Preto no Branco por Wagner Medeiros Junior

Um comentário:

  1. Que legal! Não sabia de nada disso. Super oportuna sua postagem, Wagner, trazendo informações de relevância histórica sobre nossa maior festa popular para os leitores do clube de leitura Icaraí. Valeu!

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