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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

14 de novembro de 2015

Tocaia grande, a face obscura: Jorge Amado




Hoje tem Clube de Leitura na Livraria Icaraí!

Daqui a pouco, às 16h, acontece mais uma edição do Clube de Leitura Icaraí. E o livro escolhido para o debate de hoje é um clássico da literatura nacional: ''Tocaia Grande: a face obscura'', de Jorge Amado, um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

A ideia do livro surgiu de um texto que o próprio Jorge Amado havia escrito, no qual contava lembranças de sua infância na Bahia. A trama descreve o processo de fundação de uma cidade nordestina em meio a uma disputa por terras que resultou em um massacre. O romance aborda diversos temas próximos da realidade do Nordeste brasileiro, entre eles o coronelismo e os conflitos territoriais, questões que ainda hoje perduram na região. Gostou dessa sinopse? Então venha para o Clube de Leitura!

A Livraria Icaraí fica na Rua Miguel de Frias, nº 9, em anexo à reitoria da UFF, em Niterói.




Caros colegas,

espero que esteja tudo bem com todos vocês.

Qual o dia, horário e local de nosso próximo encontro? Na Livraria da EdUFF mesmo? 

Estou terminando de ler TOCAIA GRANDE, mas tendo alguma dificuldade. São 472 páginas, a trama não se desenvolve. Tenho a obra completa de JORGE AMADO, sou admiradora inconteste do escritor, do cidadão, premiado no Brasil e no exterior. 

Leio e releio MAR MORTO, CAPITÃES DA AREIA, A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO D'ÁGUA,  TENDA DOS MILAGRES, DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS, TIETA DO AGRESTE, com imenso prazer e orgulho: é a verdadeira literatura brasileira! 

Em TOCAIA GRANDE, 
Elói Coutinho, Natário, Venturinha, Hermenegildo Cabuçu, Zezinha do Butiá, Boaventura Andrade Junior, Fadul Abdala, Capitão Natário da Fonseca, Coronel Robustiano de Araújo, Jacinta Coroca, Manuel Bernardes, Valério Cachorrão, Pergentino, Jussara Ramos Rabat, o negro Castor Abduim, Bernarda, o velho Ambrósio, a velha Angelina (Vanjé), Prudêncio de Aguiar, Emílio Medauar, a médium Zorávia, Dona Ernestina, Fuad Karam, Pedro Cigano, Nora Pão-de- ló, Durvalino, Zé Luiz, Carlinhos Silva, Frei Theun, Frei Zygmunt Martelo de Deus, Carlinhos Silva (fluente em alemão!!!), Benaia Cova Rasa, Coronel Agostinho, Fuad Karan, Ludmila Gregorióvna Cytkynbaum, Dudu Matias, Senhorita Dona Deuza...  
discutem, matam, morrem, não são felizes, não conseguem alcançar seus objetivos na vida. 

'E AQUI SE INTERROMPE EM SEUS COMEÇOS A HISTÓRIA DA CIDADE DE IRISÓPOLIS, quando ainda era Tocaia Grande, a face obscura. aqui se interrompe em seus começos'. são as palavras com que Jorge AMADO encerra o livro. 

O posfácio de MIA COUTO garante que é imperdível. 

O que vocês acharam? Estou sendo muito exigente? (rs)

Abraço carinhoso,


Cyana Leahy
Professora (UFF), escritora, tradutora
PhD em Educação Literária (London University)
Coordena a CL Edições



E não é que nesse livro de Jorge Amado
logo no livro de um baiano
tem um personagem anti-oblomoviano:
Tição, Castor abduim, encarnação de Oxaguiã

Tocaia grande - A face obscura(1984)


As comemorações dos setenta anos da fundação de Irisópolis e dos cinqüenta de sua elevação a cidade, cabeça de comarca e sede de município, alcançaram certa repercussão na imprensa do sul do país. Se para tanto o dinâmico prefeito despendeu verba elevada, não incorre em crítica: tudo quanto se faça para divulgar as excelências de Irisópolis, o passado de epopéia, o presente de esplendor, merece aplauso e elogio. Além das matérias pagas os jornais do Rio e de São Paulo divulgaram algum noticiário sobre os eventos principais que abrilhantaram os festejos, com destaque para as cerimônias, ambas solenes, da inauguração dos bustos do coronel Prudêncio de Aguiar e do doutor Inácio Pereira, erguidos um em casa praça, a da Prefeitura e a
da Matriz.

A partir do revertério da situação política, com o fim do domínio da laia que assumira o mando após a morte dos Andrade, o pai e o filho, o fazendeiro mandou e desmandou na Intendência durante lustros, intendente ele próprio ou preposto de sua escolha, parente ou
compadre. Provas da capacidade administrativa do Coronel e de sua dedicação no exercício do poder ainda hoje são vistas e admiradas no perímetro urbano, inclusive a rua calçada com paralelepípedos ingleses
- importados da Inglaterra, sim senhores! -, orgulho da população irisopolense, enquanto as acusações de desvio dos dinheiros públicos desvaneceram-se no passar do tempo. Quanto ao escapulário, na qualidade de cunhado e conselheiro, de cidadão de aptidões singulares, exerceu os cargos mais elevados, assumiu as incumbências mais responsáveis, tendo presidido a comissão formada com o meritório objetivo de angariar fundos destinados à construção da Matriz, magnífico templo católico, outro orgulho da coletividade: símbolo da fé e do idealismo daqueles valentes que, empolgados com o denodo dos dois beneméritos pioneiros, colaboram na colocação da primeira pedra da localidade.






De tanto ouvir a mãe contar, a cena se tornou real na lembrança do menino: a égua tombada morta, e o pai, ensanguentado, erguendo o bebê do chão e o levando para casa no colo. O ano era 1913, e Jorge Amado tinha então dez meses. A imagem evoca a tocaia de que o pai do escritor foi vítima na época das lutas travadas pela posse de terras no sul da Bahia, durante o ciclo do cacau. 




"O Homem que outrora fui…" (Pushkin)
                             Tel j'étais autrefois et tel je suis encor 

                                                                 André Chenier
O homem que outrora fui, o mesmo ainda serei:
leviano, ardente. Em vão, amigos meus, eu sei,
de mim se espere que eu possa contemplar o belo
sem um tremor secreto, um ansioso anelo.
O amor não me traiu ou torturou bastante?
Nas citereias redes qual falcão aflante
não me debati já, tantas vezes cativo?
Relapso, porém, a tudo eu sobrevivo,
e à nova estátua trago a mesma antiga of'renda…





Trouxe uma apresentação pro Coronel e ele me acolheu.

A égua Imperatriz do coronel Robustiano e a mula preta do capitão Natário iam parelhas em passo lento e cuidadoso na vereda entre os cacaueiros.

O Coronel não comentou, o Capitão prosseguiu a narrativa:

- Coronel Boaventura já tava metido nos barulhos, como vosmicê sabe pois andaram juntos. Fez confiança em mim, me entregou uma repetição e me levou com ele.

Posso dizer que ele me criou, sempre me tratou como se deve tratar um homem, devo a ele o que sou e o que tenho. Não me lembro de meu pai: comeu os tampos de minha mãe, capou o gato. O pai que conheci foi o coronel Boaventura.

- Mas ouvi ele mesmo dizer que você salvou a vida dele mais de uma vez. Boaventura não lhe fez favor quando mandou botar em seu nome o chão que nós tamos pisando.

- O Coronel me acoitou e me pagava o soldo de jagunço pra velar por ele. Sou ligeiro no gatilho e no pensamento. Só fiz a minha obrigação. Se ele quisesse, podia não ter me dado nem terra nem patente.

Não vou dizer a vosmicê que não mereci, mereci bem merecido, só que ele não tava obrigado a reconhecer pois havia o couto e a paga.

O Capitão soltara a rédea sobre o cabeçote da sela, deixava a mula ir a locé pela trilha conhecida, ele percorria outros caminhos, os do passado, onde, às vezes, nem trilha havia:

- O coronel Boaventura foi o homem mais valente e o mais direito que conheci e eu não me importava se tivesse de morrer por ele. Foi por isso que mesmo depois de ser possuidor de terra e de ter plantado cacau, não larguei do serviço dele, continuei cuidando da Atalaia.

Disse a ele em mais de uma feita: enquanto vosmicê for vivo e me quiser, sou um cabra a seu serviço.

Pra depois da morte dele só prometi uma coisa e essa tou cumprindo. Mas nada tem que ver com roça de cacau e com posto de administrador.

- Me disseram que Venturinha ofereceu lhe pagar o que você pedisse.

- Coronel, eu penso que todo homem tem vontade de ser dono de sua sina. Quando eu comecei a ganhar a vida, acompanhando romeiro lá no São Francisco, ouvi o povo dizer que a sina da gente tá escrita no céu e ninguém pode mudar, mas meu pensar é diferente.

Acho que cada criatura tem de cuidar de si e sempre tive vontade de ser dono de mim mesmo. Servi o Coronel por mais de vinte anos: tinha dezessete quando arribei por aqui, já festejei quarenta e dois.

Nunca prometi servir à viúva ou ao filho. Nem nunca ele me pediu.





"Iá-rára-dináh! Rára! Rára!

Deus da ruindade e da desolação, impiedoso, atrabiliário, carrasco!"





O marido deu um passo à frente, colocou-se entre a mãe e a mulher; respondeu ao sorriso aflorando com os dedos o rosto lasso da companheira. Ele, João José, desaprendera de sorrir.

Antes dos acontecidos de Maroim - fora ontem ou decorrera muitos anos? - Dinorá povoava a casa de cantigas, face louçã, olhos vivos, garrida, alvoroçada. À noite, ele a tomava nos braços, riam e suspiravam juntos.

Dedos toscos, mão calosa e suja: o carinho inatendido não tocou apenas a face de Dinorá ampliando o sorriso tímido nos lábios ressequidos. Ungüento milagroso, derramou-se sobre as chagas, por fora e por dentro, no exposto e no recôndito.

As pontas dos dedos tocaram cada fibra de seu ser: bálsamo suave, chama voraz. Dinorá sentiu-se renascer, outra vez mulher para a labuta e a cama.



Pássaro sofrê



Dona Ernestina, entregue por completo à religião e à indolência - para matar a saudade do doidivanas empanturrava se de doces e chocolates - envelhecia obesa e pudibunda.

 Dos deboches de cama a que se entregara outrora com o marido nem queria se lembrar - deboches em sua opinião,pois jamais os cônjuges foram além de modesto papai-mamãe procriador.

Cumprira o dever de esposa, concebera e dera à luz um filho. Na esperança de ter uma menina e assim completar o casal, ainda aceitara durante alguns pares de anos a frequentação do Coronel, aliás a cada dia mais vasqueira.

Ela o fez pela menina que não veio, por nenhum outro motivo: como a grande maioria das senhoras casadas, suas conhecidas e amigas, nunca soubera, nem por ouvir dizer, o significado da palavra orgasmo e o que fosse gemer de gozo nos braços do parceiro.

Umas poucas descaradas, bem certo, se comportavam no leito conjugal como putas em cama de bordel, não se davam ao respeito, maculavam a nobreza do matrimônio e a sublime condição de mãe de família. Pouquíssimas e indignas.

Para as baixas necessidades dos homens sobravam as mulheres damas, as públicas e as exclusivas. Dona Ernestina tinha conhecimento da existência de Adriana, amásia do Coronel havia mais de dez anos: não lhe causava mossa.

Tampouco a ofendia o desinteresse do marido: fazia um século que não se punha nela, que a deixara em paz. Graças a Deus.


Bernarda

"Sou da cor do cacau seco

sou o mel do cacau mole"




Torquemada

Depois, no cabaré, Fuad Karan acrescentara novos dados, referira circunstâncias curiosas, ampliara a lista dos galãs. Cidadãos os mais diversos se atropelavam na caudalosa crônica da cabocla. Ninguém poderia acusar Jussara de preconceituosa em matéria de homem: desde que vestisse calça e levantasse o pau merecia-lhe atenção e, ocorrendo circunstância propícia, levava-o para a cama. Fuad Karan, erudito, resumira: Jussara sofre de furor uterino, meu Fadul, não há jeito a dar. Fogo no rabo, confirmava Zezinha, não há macho que apague


"Quem arruma briga com puta não regula bem, é fraco da cabeça."

Não parou de incriminar-se enquanto o homenzarrão levantava-se da cama, fechava a porta e se despia: nu, crescia de tamanho, tornava-se ainda maior. Da cama, estirada, olhava-o de soslaio, um marido e tanto! Trabalhador e cobiçoso, presumido e tolo, igual a Kalil Rabat, bobo alegre nascido para cabresto e chifre. Com a vantagem de ser grandão, bem-parecido e possuir aquele pé-de-mesa. Jussara chegava com as mãos cheias: o resplendor do rosto, a tentação do corpo, dinheiro a rodo, a mais sortida loja de tecidos de Itabuna, a insolência e o dengue, o fogaréu. Que mais podia desejar um tabacudo bodegueiro confinado em remota caixa-pregos?



No dia magno da formatura, pela manhã, o arcebispo da Bahia, primaz do Brasil, celebrara missa cantada na Catedral Basílica e no verboso sermão conclamou os formandos “à defesa intransigente do direito e da justiça, missão sagrada daqueles que adotavam a meritória carreira da advocacia”. No silêncio da catedral, o coronel resmungara ao escutar as palavras de sua reverendíssima: bonitas porém falsas, sem sentido. Os bacharéis não passavam de uns trapalhões, metidos a sebo, úteis sem dúvida, indispensáveis exatamente para coonestar as violações do direito e da justiça. Caríssimos, ademais. Agora o coronel tinha um em casa, ao seu dispor.




Ainda assim pagava a pena: o título de doutor valia tanto quanto uma boa fazenda, chave para abrir as portas da política e proporcionar um casamento afortunado. Com o filho doutor ali à mão, o coronel não mais precisaria utilizar os serviços de outros bacharéis para cuidar-lhe os interesses nos fóruns e cartórios, tampouco depender de terceiros a quem eleger para cargos de confiança, a quem delegar comandos. Ficava a salvo de aleives e falsidades, de surpresas: assunto mais traiçoeiro do que a política só mesmo a justiça. Por isso andam sempre juntas, de mãos dadas.




É público e notório que a delicada flor do bem-querer não desabrocha nem resplandece se não houver interesse e concordância de ambas as partes, do homem e da mulher. Não adianta um dos dois se enrabichar sozinho: se não for correspondido, fica no alvéu, roendo beira de sino, situação penosa e deprimente, bastante triste.




Por vos me rompo toda!






Levava na bagagem vestidos chiques, uma batelada de remédios, aflitas recomendações maternas e a excitante informação de Madeleine.

A princípio tudo foi novidade e animação, motivo de festa e de riso, mas a monotonia não tardou a prevalecer.

Cansada dos bailes provincianos nos quais, por causa da elegância e dos costumes europeus, provocava inveja e conquistava aversões entre o mulherio atrasado e maledicente, cansada sobretudo da presunção e da tolice do Senhor de Itauaçu, tão cheio de si quanto vazio de interesse, para conter os bocejos e suportar o desterro, Marie-Claude dedicou-se à equitação e à fodilhança.

Ginete petulante, sozinha ou acompanhada pelo Barão, cruzava os campos nos cavalos de raça, os mais árdegos do Recôncavo.

Consorte atenta, comprovou na prática que, iguais aos tenentes-coronéis, todos os barões nascem com irremissível vocação para corno manso: impossível impedir que a realizem.

Em sendo assim, uma esposa devotada deve estar apta a cumprir o seu dever, solidária com o destino do marido. Um dia, quando dissertavam, sobre a pureza e a beleza das raças equinas e similares, andando pelos arredores do banguê, o Barão Adroaldo apontara um negro adolescente, envolto em fagulhas, na oficina do ferreiro, chamando a atenção de Madame la Baronne para aquele magnífico espécime de animal de raça:

— Repare no torso, nas pernas, nos bíceps, na cabeça, ma chère: um belo animal. Exemplar perfeito. Observe os dentes.

Reparou, obediente e interessada. Demorou os olhos molhados no exemplar perfeito, no belo animal. Observou os dentes brancos, o sorriso vadio. Malheur! Uma faixa de pano escondia lhe a primazia.

O Barão era deveras autoridade em raças, herdara a competência do pai, perito na escolha e compra de cavalos e escravos.

Mas Marie-Claude aprendera com as freiras do Sacré Coeur que os negros também têm alma, adquirem-na com o batismo.

Alma colonial, de segunda classe, mas suficiente para distingui-los dos animais: a bondade de Deus é infinita, explicava Sóror Dominique dissertando sobre o heroísmo dos missionários no coração da África selvagem.

 - Mais, pas du tout, mon ami, ce n’est pas un animal. C’est un homme, il possêde un’âme immortelle que te missionaire tal a donné avec le baptême.

Un homme? O Barão desatou a rir.

Quando o Senhor de Itauaçu ria em francês, posando de aristocrata culto e irônico a se divertir com a tolice humana, tornava-se intolerável por afetado e arrogante.

 Um seu xará, Adroaldo Ribeiro da Costa, bacharel e literato de Santo Amaro, ao ouvi-lo rinchavelhar massacrando sem piedade a língua de Baudelaire, mestre bem-amado, passara a designá-lo por Monsieur le Franciú para gáudio dos ouvintes e pelas costas do Barão: o poeta.



Consorte atenta, comprovou na prática que, iguais aos tenentes-coronéis, todos os barões nascem com irremissível vocação para corno manso: impossível impedir que a realizem.





Ao regressar de Guadalupe onde o marido, tenente-coronel de artilharia, comandara a guarnição, Madeleine fizera duas declarações peremptórias: a) todos os tenentes-coronéis nascem com irrevogável vocação para corno-manso, nem a mais pateta da esposas pode impedir que cumpram seu destino; b)os negros, em matéria de cama, são absolutamente insuperáveis. Não havia melhor prova da primeira afirmativa do que o próprio esposo de Madeleine: fora ele que trouxera para casa, na qualidade de ordenança, o negro Dodum, exatamente a melhor prova, a mais esplêndida da segunda revelação. 



"Depois de liderar uma tocaia sangrenta contra um inimigo de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança. Ali, passa a cultivar cacau. Agora proprietário de terras, Natário encomenda no Rio de Janeiro, então capital do país, patente de capitão. Assim, nos moldes de um coronel nordestino, começa a ampliar seus domínios e a impor sua autoridade.


O Lugar da Tocaia Grande cresce e de local de pernoite passa a lugarejo, depois a arraial. Recebe prostitutas, tropeiros, jagunços, ciganos e trabalhadores que perderam emprego nos latifúndios. Vários personagens compõem a história do povoado: Bernarda, afilhada e amante de Natário; Venturinha, filho do coronel Boaventura e bacharel em direito; a cafetina Jacinta Coroca; a feiticeira Epifânia; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição, e o comerciante libanês Fadul Abdala. Aos poucos, de terra sem lei o povoado amplia-se até alcançar estatuto de cidade e receber o nome de Irisópolis.



Em Tocaia Grande, Jorge Amado descreve o processo de formação de uma cidade nordestina nascida sob o signo da violência e da disputa de terras. Romance caudaloso e panorâmico, revela a “face obscura” de um lugar em que a lei não vigora nem há presença formal do governo.



Na região cacaueira, a pequena cidade de Irisópolis é o microcosmo de uma sociedade de funcionamento tradicional e arcaico, que recebe os ventos da modernização sem perder a herança perversa. Apesar do progresso, da emancipação e dos elementos civilizatórios, o lugar vai conservar seus traços originais: o sangue derramado, a marca do pecado e a memória da morte."


Tiago Hoisel



Publicado em 1984, Tocaia Grande descreve o processo de formação de uma cidade nordestina, nascida sob o signo da violência e da disputa de terras, em inícios do século XX.Depois de liderar uma tocaia contra o oponente de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, onde passa a cultivar cacau. A chegada de comerciantes, prostitutas, tropeiros e ex-escravos ao local dá vida e contornos ao arraial.Personagens fortes, independentes e solitários - como a cafetina Jacinta Coroca; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição Aceso, e o comerciante libanês Fadul Abdala -, encontram em Tocaia Grande um refúgio e o conforto da amizade.Com a prosa leve e bem-humorada de sempre, Jorge Amado relata a união profunda e os laços de afeto que se desenvolvem entre os habitantes de Tocaia Grande, e que serão responsáveis pelo crescimento do povoado e por sua resistência à pressão da Igreja e do poder político-econômico para se enquadrar no sistema coronelista.Este e-book não contém as imagens presentes na edição impressa.



Bang bang dos bons em Tocaia Grande

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6 comentários:

  1. Desvios de dinheiros públicos são coisas antigas neste país, repletos de corruptos que armam desde há muito incontáveis tocaias grandes para o povo brasileiro.

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  2. Em um dos contos de "O Aleph" de Jorge Luis Borges lemos, a certa altura, que "a lei é melhor que a desordem" enquanto em "Tocaia Grande" encontramos logo de cara a citação do sobrevivente Lupiscínio "a gente pôde com a enchente e com a peste; com a lei não pôde não: sucumbiu". De certa forma reflete o posicionamento político desses dois gigantes da literatura sul americana do século passado.

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  3. Joana Lapa tem dois exemplares de Tocaia Grande para venda na barraquinha da APAE que fica no Campo de São Bento aos finais de semana, pelo preço de R$ 10,00 cada.

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  4. Enfim leremos Jorge Amado no Clube de Leitura! Custa-me acreditar que demoramos tanto a fazê-lo!

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  5. Como puderam ficar tanto tempo sem ler Jorge Amado?

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  6. Para Jorge Amado, a vida é um bordel. Os personagens masculinos só pensam naquilo.

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