CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

23 de agosto de 2015

Judas: Amós Oz

Cântico dos Cânticos

Eis que és formosa, meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas entre as tuas tranças; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que pastam no monte de Gileade.
Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma há estéril entre elas.
Os teus lábios são como um fio de escarlate, e o teu falar é agradável; a tua fronte é qual um pedaço de romã entre os teus cabelos.
O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para pendurar armas; mil escudos pendem dela, todos broquéis de poderosos.
Os teus dois seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.
Até que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra, e ao outeiro do incenso.
Tu és toda formosa, meu amor, e em ti não há mancha.
Vem comigo do Líbano, ó minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos.
Enlevaste-me o coração, minha irmã, minha esposa; enlevaste-me o coração com um dos teus olhares, com um colar do teu pescoço.
Que belos são os teus amores, minha irmã, esposa minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho! E o aroma dos teus ungüentos do que o de todas as especiarias!
Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.
Jardim fechado és tu, minha irmã, esposa minha, manancial fechado, fonte selada.
Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes, o cipreste com o nardo.
O nardo, e o açafrão, o cálamo, e a canela, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e aloés, com todas as principais especiarias.
És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!
Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que destilem os seus aromas. Ah! entre o meu amado no jardim, e coma os seus frutos excelentes!

Cânticos 4:1-16


Fonte

Boa tarde, CLIc-leitores,

Prezado Evandro, na postagem de JUDAS no blog do CLIc, mantendo a tradição, você encontrou a música Judas, da Lady Gaga. Gostei. Ficou boa. Mas temos o nosso imortal Cowboy fora da lei, o Rauzito, que tem exatamente uma música com este título: Judas. Seria justo que ela fosse também incorporada à postagem. Acho, inclusive, que ela possui essencialmente uma das teses do livro: 


"Parte de um plano secreto
Amigo fiel de Jesus
Eu fui escolhido por ele
Para pregá-lo na cruz

Cristo morreu como um homem
Um mártir da salvação
Deixando para mim seu amigo
O sinal da traição."


"Se eu não tivesse traído
Morreria cercado de luz
E o mundo hoje então não teria
A marca sagrada da cruz."


Link da música no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=nDrqvGXYTNI

Grande abraço,
Até logo mais,

Antonio





Esse é o Priest, não é o Iscariotes!!!

"Schmuel Asch meldet sich auf die Anzeige hin in der Rav-Albas-Gasse am Rand des Jerusalemer Viertels Sche’arei Chesed und lernt den 70-jährigen Gerschom Wald kennen, einen kultivierten Mann mit einem Bart wie Albert Einstein, der begeistert redet, doziert und diskutiert, jedoch kaum über Privates spricht. Im Haus lebt auch die 45-jährige Atalja Abrabanel, die in ungeklärter Beziehung zu Wald steht und deren Ausstrahlung und Unnahbarkeit den jungen Schmuel auf Anhieb fasziniert. Dieser nimmt die Anstellung an und leistet von nun an jeden Abend in der Bibliothek des Hauses Gerschom Wald Gesellschaft. Den restlichen Tag schläft er lang in seiner Mansarde, schlendert ziellos durch Jerusalem und bemüht sich, Atalja bei ihren raren Begegnungen näherzukommen. Er findet auch die Zeit, seine Studien über die jüdische Sicht auf Jesus von Nazaret fortzusetzen. Sein Besonderes Interesse gilt der Person Judas Ischariot, dessen vermeintlicher Verrat bis in die Gegenwart wirkt und das Verhältnis zwischen Christen und Juden bestimmt. Schmuel fragt sich, ob es nicht gerade Judas’ Loyalität war, die zum Verrat an seinem Lehrmeister führte."

Gasse im Jerusalemer Viertel Sche’arei Chesed


"10 MAIORES TRAIDORES DA HISTORIA"

  1. Ao lado de todo grande homem tem sempre um grande traidor. Se você não acredita nisso, este ranking lhe dá dez bons motivos para desconfiar dos amigos, caso, claro, você tenha planos de gravar seu nome nos livros de história.  

  2. 10 WANG JINGWEI CHINA GUERRA SINO-JAPONESA, DÉCADA DE 1930 Depois de participar do Kuomintang, movimento que lutava para unificar o país, Jingwei se revoltou e mudou para o lado inimigo justo quando a guerra da China contra o Japão pegava fogo, literalmente. Ele não apenas fez vista grossa para os avanços japoneses como conquistou a província de Nanquim para os novos amigos. Ao trocar a China pelo Japão, Wang Jingwei deixou de lado sua ideologia comunista para defender um país que fazia parte do grupo do Eixo, aquele mesmo que era comandado pela Alemanha nazista na Segunda Guerra.

  3. 9 ALDRICH AMES EUA DÉCADAS DE 1980 E 1990 Espião da mais famosa agência de inteligência americana, a CIA, Aldrich Ames se vendeu para a KGB, o serviço secreto da Rússia, durante a Guerra Fria. Por alguns milhões de dólares, o traíra vendia para os russos o nome daqueles que trabalhavam para os EUA. Descoberto depois de quase 15 anos de serviços prestados aos inimigos, ele foi condenado à prisão perpétua. A Rússia contratou um traidor para ser seu dedo-duro infiltrado na CIA, mas não perdoava traições. Pessoas delatadas por Ames não tinham perdão: muitas foram executadas antes mesmo de poderem se defender.

  4. 8 TOMMASO BUSCETTA ITÁLIA DÉCADA DE 1980 Foi um dos membros mais importantes da Cosa Nostra, a máfia italiana. E adivinhem onde ele enriqueceu? No Brasil, traficando drogas. Preso pela Polícia Federal em 1984 e deportado para a Itália, ele fez pinta de arrependido e entregou todo o esquema da máfia. Por colaborar com a polícia, Buscetta ganhou proteção especial e um salário para o resto de sua vida, que terminou em 2000, quando morreu de câncer. O italiano foi o primeiro traidor da máfia a ficar conhecido por quebrar o juramento de silêncio da organização. Ele se safou, mas a Cosa Nostra 'apagou' mais de dez pessoas de sua família

  5. 7 DOMINGOS FERNANDES CALABAR BRASIL  BRASIL COLÔNIA, SÉCULO 17 O único representante brasileiro da lista é considerado por muitos um dos primeiros traidores da história do país. Calabar era um senhor de engenho na capitania de Pernambuco e se aliou aos holandeses quando eles invadiram as terras brasileiras – na época, sob o domínio de Portugal. Como conhecia o território pernambucano como a palma de sua mão, ajudou em praticamente todas as conquistas da Holanda por estas bandas. Alguns historiadores questionam a fama de traidor de Calabar e alegam que ele lutou ao lado dos holandeses porque acreditava que, sem o domínio de Portugal, a pátria seria livre. 

  6. 6 AUGUSTO PINOCHET CHILE  DÉCADA DE 1970 No dia 25 de agosto de 1973, o presidente do Chile, Salvador Allende, escolheu um dos militares que considerava mais leais para assumir a chefia do Exército. Três semanas depois, Pinochet liderava um golpe militar para derrubá-lo e implantar uma ditadura que duraria 17 anos. Pinochet até ofereceu um avião para o presidente fugir, mas uma transmissão de rádio revelou que sua intenção era jogar Allende da aeronave em pleno vôo. Allende confiava tanto em Pinochet que, na manhã do dia do golpe, teria dito: 'Chamem Augusto, ele é um dos nossos'.

  7. 5 SILVÉRIO DOS REIS PORTUGAL  BRASIL COLÔNIA, SÉC. 18 Apesar de ser português, ele se tornou um dos traidores mais famosos do Brasil antes mesmo de o país se libertar de Portugal. Isso porque passou por cima logo do primeiro movimento de independência, a famosa Inconfidência Mineira. Para escapar das suas dívidas com a Coroa, ele entregou seu amigo Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A conclusão todo mundo já sabe: o líder dos inconfidentes acabou enforcado e esquartejado. Além de ter suas dívidas perdoadas, o delator de Tiradentes ganhou uma pensão vitalícia do governo português e foi até mesmo recebido por dom João.

  8. 4 HEINRICH HIMMLER ALEMANHA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939-1945) Abandonar os companheiros de luta e passar para o outro lado é considerado traição, independentemente do lado em que está lutando. Por isso, Himmler, o chefe da polícia nazista, está aqui. Afinal, quando ele percebeu que as chances de vencer a guerra eram praticamente nulas, não titubeou em abandonar Hitler e negociar uma rendição da Alemanha com os EUA e a Grã-Bretanha. Himmler tentou entregar a Alemanha para os Aliados em troca de sua liberdade. Mas não deu certo: ele foi considerado criminoso de guerra, foi preso e se suicidou.

  9. 3 MARCUS JUNIUS BRUTUS ROMA 44 A.C. Brutus certamente não foi o primeiro traidor da história, mas foi o primeiro a se tornar famoso. Depois de lutar pelo Império Romano, comandado pelo seu pai adotivo, Júlio César, ele se uniu a outro traíra, o general Cássio Longinus, para tomar o poder. Não bastasse a traição, o cara aceitou colocar em prática o plano de assassinar o 'papito'. Ao ser golpeado, César mandou a famosa frase: 'Até tu, Brutus?' Depois da traição, Brutus chegou a montar um exército para dominar o Império Romano, mas foi derrotado por Marco Antônio. Aí a consciência pesou e ele se suicidou.

  10. 2 TALLEYRAND-PÉRIGORD FRANÇA  REVOLUÇÃO FRANCESA, SÉCULO 18 Para o ministro das relações exteriores de Napoleão Bonaparte, 'traição é uma questão de datas'. Talvez por isso, Talleyrand não só tenha abandonado o imperador mas também mudado radicalmente de lado. Numa época em que a França espalhava pela Europa os princípios da revolução, ele organizou a deposição de Napoleão e a volta dos Bourbons para restaurar a monarquia. Depois da crocodilagem, Talleyrand trabalhou como embaixador de Luís XVIII, que sucedeu Napoleão, e representou a França no Congresso de Viena.

  11. 1. JUDAS ISCARIOTE GALILÉIA 33 ANOS APÓS O NASCIMENTO DE CRISTO Ele não traiu 'simplesmente' uma pátria, um partido ou uma ideologia. O mais famoso traidor da história é até hoje lembrado como o sujeito que deu uma rasteira no filho único do Todo-Poderoso. E pior: segundo a Bíblia, Judas entregou Jesus Cristo aos soldados romanos em troca de míseras 30 moedas de prata. Arrependido, o apóstolo tentou devolver o dinheiro e voltar atrás, mas já era tarde. Cristo foi crucificado e Judas, culpado, suicidou-se. Em algumas cidades do mundo, inclusive aqui no Brasil, existe o costume de 'malhar' o Judas no sábado de Aleluia (o que vem antes do domingo de Páscoa).
(Fonte)




Outras Traições Notáveis


Otelo e Iago - 1603

Desdêmona, esposa de Otelo, perdeu a vida por causa da traição de Iago (Desdemona, de Frederic Leighton)
O poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare sempre explorou a traição em suas peças: Rei Lear, Hamlet, Mac Beth… Mas foi a falsa amizade de Iago na peça “Otelo, o Mouro de Veneza” que se tornou a mais famosa de todas. Na história, Iago, alferes do general Otelo, se sente injustiçado quando seu comandante nomeia outro para o posto de tenente. Decide então se vingar, fazendo Otelo pensar que sua mulher, Desdêmona, o traiu. A trama funciona e, consumido pelo ciúme, o general acaba matando-a asfixiada. Quando descobre que tudo não passou de uma mentira de seu alferes, suicida-se.
URSS e Alemanha - 1941

Os ex-aliados Stalin e Hitler
Poucas traições foram tão grandiosas a ponto de envolver duas nações. União Soviética e Alemanha assinaram em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, o Pacto Molotov-Ribbentrop, ou simplesmente Tratado de não-agressão germano-soviético. O pacto estabelecia que a Alemanha nazista de Hitler e a URSS de Stálin não iriam interferir uma na outra em termos bélicos. A ideia era que a Alemanha atacasse e anexasse a Polônia sem intervenções soviéticas, enquanto apoiaria uma invasão soviética à Finlândia. Ambos os ataques se concretizaram em 1939. Tudo parecia perfeito na amizade entre os dois regimes, até que, em 1941, sem grandes explicações, Hitler atacou os russos na Operação Barbarossa. A URSS, após tamanha traição, entrou de vez na guerra ao lado dos Aliados. O resto é história.





"E ao outro dia, como saíssem de Betânia, teve fome. E tendo visto ao longe uma figueira, foi lá a ver se acharia nela alguma coisa; e quando chegou a ela, nada achou, senão folhas, porque não era tempo de figos. E falando-lhe disse: Nunca jamais coma alguém fruto de ti para sempre; o que os discípulos ouviram. E no outro dia pela manhã, ao passarem pela figueira, viram que ela estava seca até as raízes."






Não se vira a outra face
Respeitada voz pública nos debates sobre o conflito israelo-palestino, o escritor Amós Oz deseja a paz - mas não quer conversa com o Hamas, grupo terrorista que governa Gaza
Durante a guerra em Gaza, em julho e agosto, o senhor disse que a ação militar israelense foi "excessiva mas necessária". Por quê? Quando Israel é bombardeado por uma chuva de mísseis, não se pode esperar que o país ofereça a outra face. Mas não era necessário destruir tantas casas em Gaza para repelir a agressão do Hamas. Isso poderia ter sido realizado de forma mais sutil e cautelosa.
Qual a perspectiva de paz duradoura? A razão profunda da tragédia em Gaza é o desespero. Quando eu era criança, minha avó me disse: "Nunca lute com um garoto que não tem nada a perder". É vital para Israel que Gaza deixe de ser esse garoto. Acredito que, se um Estado palestino existir na Cisjordânia, próspero e em paz com Israel, as pessoas de Gaza terão tanta inveja que derrubarão o Hamas. Traço esta linha: simpatizo com o sofrimento do povo de Gaza, mas desprezo o Hamas. Não pode haver solução de compromisso com quem prega o fim de Israel.
Qual a chance de uma solução de compromisso entre as atuais lideranças de Israel e da Autoridade Palestina? Não votei nem votarei no primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Seu governo é intransigente. Faltam-lhe empatia e imaginação, necessárias para a resolução de conflitos. E as mesmas qualidades faltam à Autoridade Palestina.

CLIC, NÃO ACREDITE





"Percorrei as ruas de Jerusalém,
olhai, perguntai;
procurai nas praças,
vede se nelas encontrais um homem,
um só homem que pratique a justiça
e que seja leal;
então eu perdoarei a cidade."
(Jeremias 5,1)






A principal tragédia dos homens não é que perseguidos e oprimidos aspirem a se libertar e se aprumar. Não. O grande mal é que os oprimidos anseiam secretamente por se tornar os opressores de seus opressores. Os perseguidos sonham em ser perseguidores. Os escravos sonham ser senhores. 





Nas escrituras sagradas judaicas está explícito que com a vinda do Messias acabarão o derramamento de sangue na Terra e um povo não brandirá a espada contra outro povo e não mais aprenderão a guerra. Essas são palavras do profeta Isaías. E desde os tempos de Jesus até hoje, em nenhum momento parou o derramamento de sangue em lugar algum. Isso e mais: no livro dos Salmos está dito explicitamente que o Messias vai baixar, isto é, vai governar do mar ao mar e do rio até o fim das terras. E Jesus não exerceu governo algum nem em vida nem após a sua morte. 





Nós dois, eu & você, procuramos algo que não tem dimensão. E como não tem dimensão, não vamos encontrar nem que procuremos até amanhã de manhã, e na noite seguinte e em todas as noites seguintes até o dia da nossa morte, e talvez até mesmo depois de nossa morte. 

photo by Garth Oriander

Falso, 
falso é o coração, 
e perverso, 
quem o compreenderá?


Sou gente


Durante seis horas o crucificado não tinha parado de gritar e de se lamentar. Enquanto sua agonia se prolongava, chorava e bradava e implorava, tal era a dor que sentia, e chamava repetidas vezes por sua mãe, chamava e tornava a chamar numa voz fraca e pungente, voz que parecia um choro de bebê mortalmente ferido e abandonado no campo, sozinho, para secar em sua sede e derramar o que lhe restava de sangue sob um sol causticante. Era um apelo desesperado, que subia e baixava e de novo subia, enregelando o coração, Mãe, Mãe, e depois veio um grito lancinante de dor, e novamente Mãe. E de novo o lamento pungente e depois dele um gemido fraco, prolongado, cada vez mais fraco, um lamento que durou até o último sopro.

... Uma nuvem preta de moscas agitadas desceu sobre os três crucificados e grudou-se a suas peles, voejando faminta sobre o sangue que corria das feridas dos pregos. Sobre os galhos das árvores próximas se espremia numa espera impaciente uma multidão de aves de rapinas pretas, grandes e pequenas, de bicos recurvados, pescoços calvos e penas eriçadas... Ao meio-dia o sol se derramava como chumbo derretido sobre a terra, sobre os crucificados e sobre a multidão de espectadores... Aqui e ali circulavam na multidão vendedores com bandejas de metal oferecendo aos berros doces, bebidas, figos secos, tâmaras, sucos de frutas... Muitos dos presentes haviam trazido comidas e bebidas, e as consumiam.




O amor é um evento íntimo, estranho e cheio de contradições, pois mais de uma vez nós amamos alguém por amor a nós mesmos, por egoísmo, por cupidez, por desejo físico, por vontade de dominar o amado e subjugá-lo, ou, ao contrário, devido a uma espécie de desejo de ser dominado pelo objeto de nosso amor, e geralmente o amor se parece muito com o ódio e é mais próximo dele do que o que imagina a maioria das pessoas.




Jesus foi um grande sonhador, talvez o maior dos sonhadores que jamais houve. Mas seus discípulos não foram sonhadores. Eles foram ávidos de autoridade, e seu fim, como o fim de todos que são ávidos de autoridade e poder no mundo, foi que se transformaram em derramadores de sangue.




Se eu tiver de escolher mil vezes entre o nosso sofrimento, esses antigos tormentos que são seus, meus e de todos nós, e as salvações e redenções do mundo, é melhor que deixem para nós toda a dor e a aflição e guardem para si os seus consertos do mundo, que sempre vem junto com corrupção, cruzadas ou jihad ou gulag ou guerras de Gog e demagog.


Eis o homem!

E você?

Descobriu ou encontrou?


Os pais do sionismo, calculadamente, tinham se utilizado das energias religiosas e messiânicas existentes no coração das massas judaicas em todas as gerações e mobilizado essas energias em proveito de um movimento político que em sua base era secular, pragmático e moderno.




O que não conseguimos por nós mesmos não nos será dado por caridade ou concessão.





Sentia uma doce quietude a envolvê-lo, como se finalmente tivesse voltado para casa, não à casa dos pais nem ao corredor escuro onde dormira todos os dias de sua infância, mas à casa que sempre desejara, a casa onde não estivera uma única vez, a casa dele, a verdadeira. A casa onde ele (não) vai todos os dias de sua vida.


6 comentários:

  1. Evandro
    Tentando colaborar ,estou lhe enviando esta poesia de Guerra Junqueiro...Parasitas

    PARASITAS


    No meio duma feira, uns poucos de palhaços
    Andavam a mostrar, em cima dum jumento
    Um aborto infeliz, sem mãos, sem pés, sem braços,
    Aborto que lhes dava um grande rendimento.

    Os magros histriões, hipócritas, devassos,
    Exploravam assim a flor do sentimento,
    E o monstro arregalava os grandes olhos baços,
    Uns olhos sem calor e sem entendimento.

    E toda a gente deu esmola aos tais ciganos:
    Deram esmola até mendigos quase nus.
    E eu, ao ver este quadro, apóstolos romanos,

    Eu lembrei-me de vós, funâmbulos da Cruz,
    Que andais pelo universo há mil e tantos anos,
    Exibindo, explorando o corpo de Jesus. Abraços Ceci Lohmann

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  2. Daniel Chutorianscy tem uma interpretação inusitada sobre a questão palestina-israelense, e acesa em chamas. Preparem-se os interlocutores da próxima reunião. Polêmica à vista!

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  3. Infinitos mundos idênticos povoam o universo e em muitos deles Judas Iscariotes não tornará a vender o Senhor.

    Orígenes

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  4. Pergunta que não quer calar: esses delatores da Lava Jato estão mais para salvadores da pátria ou para judas modernos? E também, se criminosos são os corruptos e os corruptores, o mesmo não se aplicaria aos delatores e aqueles que oferecem vantagens em troca das delações?

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  5. Por certo deve ser uma grande humilhação para esses senhores acostumados a viverem no bem bom serem exibidos publicamente como ladrões, corruptos, verdadeiros vilões nacionais e, acima de tudo, serem rebaixados ao último grau da dignidade humana na condição de delatores. Nosso país mudou muito pois antigamente tais "confissões" eram obtidas por meio de torturas enquanto hoje em dia os criminosos são premiados com distensão da pena.

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  6. Ópera-bufa dos políticos, se não fosse trágico para a economia do país.

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