CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

26 de janeiro de 2015

Fahrenheit 451

Você sabe qual a temperatura de queima do papel? Está no título do romance de Ray Bradbury e foi o livro que escolhi de presente de amigo oculto, uma indicação da amiga Sonia Salim, a quem agradeço. Levei-o para passear nas Cataratas, mas foi ele quem me deu um banho. Muito bom, excelente para reflexão, como me parece serem vários dos livros distópicos.


O livro foi escrito há 61 anos e a visão futurista que o autor já mostrava então se assemelha ao que estamos em vias de vivenciar. Questionador e crítico, um livro desses pra te fazer pensar e sair do marasmo. 

Na linha de 'Admirável Mundo Novo', Ray nos incita à reflexão sobre o significado da felicidade, do prazer. A futilidade ganha um espaço incrível, amores rápidos, envolvimento pessoal praticamente inexistente, tudo na superfície, a densidade está agonizando e sobrevivendo na cabeça de uns poucos. A dor merece ser extinta, a morte dispensa o luto, todos são igualmente banais, uma sociedade de vacas de presépio. 

O autor questiona ainda as muitas formas de se matar um livro, desde as óbvias censura e proibição até e principalmente à arte da manipulação, tão forte que prescinde do poder do estado. É a própria sociedade quem adere, fiscaliza e delata como se fosse ela o governo tirano. E livros são queimados a 233º C, ou, nos padrões americanos, 451ºF. Ateemos fogo ao pensamento crítico!

Com o Ano Novo se aproximando velozmente, escolhas e caminhos estão em alta. Fico aqui pensando... o tamanho da nossa gaiola, quem é que vai definir? Este livro amplia horizontes e refaz a questão: afinal, qual é mesmo a busca incessante do humano? 

Filme


7 comentários:

  1. Oi, Rita Magnago, que bom ver você fechar o ano lendo esse livro maravilhoso para reflexão. Você nunca mais vai esquecer os episódios contidos nele. É um livro que deve ser lido assim como você fez, somando aos do clube, de acordo com a curiosidade. Não se esqueça de ver o filme. Espere, vou procurar o link e trazer para você e os demais leitores do clube de leitura. Eu recomendo sempre a leitura e o filme. Bom demais! Parabéns pela postagem!

    Feliz 2015! Beijos! Sonia Salim

    http://youtu.be/y-5KUImubtY Fahrenheit 451 - O filme

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    1. Oi Sonia, assisti com a família, ontem após o almoço, ao filme Farenheit 451 no youtube. Bem estilo "cinema inteligente". Como quase sempre, achei o livro melhor, mas foi muito interessante ver o filme porque, na leitura, eu imaginava um mundo no futuro e, ao assistir à película, eu estava no passado. Quando o telefone se materializa, o caminhão dos bombeiros, os cabelos das pessoas, etc, aí você vê como a imagem reduz a imaginação. Também senti muita falta do cachorro-robô que tem no livro e do amigo professor do protagonista, que não aparece na versão para o cinema. Eles tentaram dar uma romanceada deixando a mocinha viva, mas eu prefiro como escreveu Ray. Obrigada por ambas as preciosas dicas. Beijos.

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    2. Sim, Rita, eu penso que os livros são melhores e nos dão uma visão total da situação, o que o filme às vezes não pode ter, pelo tempo, coisa e tal. Imperdoável mesmo foi o professor não aparecer no filme, eu o considerei muito importante. A atitude da mocinha foi bem interessante, aquela que muitos de nós fazemos que é alfinetar com a pontinha da capa dos livros. rs Não teria sido isso que fez você ler "Farenheit 451? Adoro fazer isso!!! Bjs

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    3. Ahaha, foi sim, Sonia Salim 'espetadeira', rsrsrs.

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  2. Se nosso futuro for um mundo distópico como o previsto em Fahrenheit 451, que livro você gostaria de memorizar?

    Aníbal

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    1. Boa pergunta, Aníbal. Embora eu tenha muitos livros que considero maravilhosos, se tivesse que escolher apenas um para memorizar seria " Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra", do Mia Couto. Simplesmente lindo demais.

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  3. Eu escolheria "A consciência de Zeno" de Italo Svevo.

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