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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

13 de novembro de 2014

Consolidando o Estado nacional.

Por Wagner Medeiros Junior
Período Regencial

Após a independência do Brasil, os portugueses continuavam a dominar o império, a começar pelo círculo em volta do imperador D. Pedro I, que também nascera em Portugal. O mesmo acontecia em todas as províncias, onde os portugueses ocupavam os melhores cargos do governo, dominavam as atividades dos serviços e do comércio e detinham as melhores patentes das tropas de primeira linha. Tudo isso motivava enorme insatisfação dos brasileiros.
Ao término da Guerra da Cisplatina, em 1828, o Brasil entrou em um período de crise, devido ao endividamento com a guerra. O derrame de moedas falsas de cobre e o aumento no custo de vida avultaram ainda mais a impopularidade de D. Pedro I junto aos brasileiros. Estes culpavam os portugueses, que apoiavam o imperador, pela carestia e todos os males do império.
As rusgas entre brasileiros e lusitanos acabaram por deflagrar violentos conflitos de rua, principalmente no Rio de Janeiro, até que no dia 5 de abril de 1831 D. Pedro I decide destituir o “ministério de brasileiros”, nomeado pouco dias antes para amenizar a crise. A nomeação de ex-ministros impopulares da aristocracia lusa acende o estopim que faltava para tornar incontrolável os protestos.
Na manhã do dia 6 de abril, brasileiros de todas as classes começam a afluir pelas principais ruas do Rio de Janeiro em manifestações, concentrando-se depois no Campo de Sant’Anna, onde intensificaram os protestos contra D.Pedro I. Entretanto, o imperador, resoluto, não cede às pressões para restituir o ministério deposto. Por fim, a própria Guarda de Honra e o Batalhão do Imperador também se rebelam. Enfraquecido, na madrugada do dia 7 de abril D. Pedro renuncia em favor de seu filho, o príncipe Pedro de Alcântara, então com 5 anos de idade.
Inicia-se, assim, o período das Regências, que segundo Bóris Fausto foi “dos mais agitados da história política do país e também dos mais importantes”, porque contribuiu efetivamente para a formação de uma identidade nacional e garantiu a integridade territorial do Brasil.
O primeiro período da Regência é chamado de Regência Trina Provisória. Este período é de curta duração - se estende de 7 de abril a 17 de junho de 1831. Nele há a reintegração do “ministério dos brasileiros”  e a retirada dos estrangeiros não naturalizados do Exército. O segundo período é o da Regência Trina Permanente, que se estende até 12 de outubro de 1835. Inicia-se, então, as Regências Umas do padre Diogo Antônio Feijó, que irá até 19 de setembro de 1837, e a de Pedro de Araújo Lima, que se encerra em 23 de julho de 1840, quando é declarada a maioridade de D. Pedro II.
No campo político, a corrente hegemônica no período das Regências foi a dos liberais moderados, liderada pelo carioca Evaristo da Veiga, editor do mais influente jornal da época, o “Aurora Fluminense”. Os liberais moderados defendiam o cumprimento da Constituição. Ao lado de Evaristo da Veiga destacam-se o paulista padre Feijó e o mineiro Bernardo Pereira de Vasconcelos. Do lado oposto encontravam-se duas correntes: a dos liberais exaltados, que pretendiam reformas mais radicais, como  ampliar os poderes das províncias e limitar o poder do imperador, e a dos restauradores, que pregavam a volta de D. Pedro I.
No período regencial irrompeu uma série de levantes militares, rebeliões e insurreições populares por várias regiões do país, algumas delas com fins republicanos e separatistas. A Revolução Farroupilha, na então província de São Pedro do Rio Grande do Sul (1835-1845); a Cabanagem, na então província do Grão- Pará (1835-1840); a Sabinada, na Bahia (1837-1838); e a Balaiada, no Maranhão (1838-1840) chegaram a ameaçar a integridade do território nacional e o Império.
Estes movimentos foram sufocados pelas forças leais ao governo, com o apoio da Guarda Nacional (corporação armada de cidadãos), criada em 1831 para manutenção da ordem nas províncias. É dessa ebulição social que começa a construção da identidade nacional e a formação de nossa própria historiografia. Até então a história do Brasil era ainda a história de Portugal.

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Preto no Branco por Wagner Medeiros Junior

3 comentários:

  1. Excelente texto, Wagner! A cabanagem foi um verdadeiro holocausto no Grão-Pará, terra do nosso saudoso José Roberto. Em relação à farroupilha, precisamos reviver o espírito dos gaúchos antes que os impostos altos no Brasil acabem nos deixando esfarrapados. Dizem que os baianos só lutaram na sabinada porque o governo imperial queria recrutá-los para outras lutas, será verdade? E em relação à balaiada, aquilo parece ter sido um verdadeiro balaio de marimbondos. Quantas guerras em tão curto intervalo de tempo em pontos tão distintos do Brasil!

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  2. Bom texto, Wagner Medeiros. Nossa História, nossa cultura, nossas histórias devem sempre "estar na moda", nas bocas e nos corações. Mais do que o Grito, é a cultura brasileira nas mentes que perpetuará nossa independência, que se bobear, vai ficar por pouco nos próximos anos. Trabalhos como o seu são imprescindíveis.
    Parabéns.
    Carlos Rosa.

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  3. Agradeço os comentários do Evandro e do Carlos Rosa. Nas próximas postagens estaremos abordando os movimentos que se espalharam por diversas províncias do Brasil no período da Regência. Começaremos pela Sabinada, que também tem um pouco do recrutamento forçado, conforme dizer do Evandro no comentário acima. Depois estaremos abordando a Revolução Farroupilha e, na sequência, os outros movimentos.

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