CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

2 de julho de 2014

Questões para troca de ideias sobre a obra de Padura "O homem que amava os cachorros"




Mande suas perguntas e/ou coloque suas respostas no campo de comentários dessa postagem para debatermos a obra do escritor cubano:


  1. uma crença total será sempre maléfica?
  2. não importam os meios para se atingir determinado fim?
  3. quando a desesperança alcança patamares inimagináveis, quem é capaz de qualquer coisa para ter de volta a esperança? E quem não?
  4. um ideal pode estar acima de tudo?
  5. o marxismo é uma utopia?
  6. você concorda com Daniel Cohn-Bendit, lider do movimento estudantil de 1968 em Paris, que ficou indignado com os xingamentos à presidenta Dilma na abertura da Copa do Mundo no Taquerão e disse que ela deveria ter comprado os ingressos para encher o estádio com torcedores que são favoráveis ao governo? 


11 comentários:

  1. No face, Elô e eu respondemos sobre a crença ser ou não sempre maléfica, uma das questões levantadas pela obra de Padura. Eu acho que sim, a dúvida é amiga enquanto a certeza absoluta me parece um grande passo para o abismo do engano.

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  2. 1) Para mim, crença é feito combustível e uma crença total pode funcionar como os mísseis de Nikita Kruschev que foram instalados em Cuba direcionados para os EUA na década de 60. Olhem o resultado! 2) Meios e fins são como marido e mulher, tem que haver um compromisso entre os dois, caso contrário, as consequências são ruins.

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  3. Continuando...

    3) Essa é uma questão crucial em nossas vidas. Quem for capaz de qualquer coisa já caiu no desespero e será que é possível viver no desespero sem desejar a morte?
    4) Acho que ideal acima de tudo é devaneio e a gente no clube de leitura sabe bem como é difícil se desvencilhar das malhas do devaneio.

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  4. Evandro, você é hilário mesmo. Estou agora perto do final do livro, e mais questões surgem, o que é bom. Me chamou a atenção que na capa do livro o autor tenha feito constar a palavra "romance". Acho que meio que ele quis tirar a responsa pelos fatos históricos, em caso de erros, omissões, parcialidades etc. O q. vc acha?

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  5. Olá Rita, fatos históricos são interpretados de formas diferentes dependendo das motivações de quem fala ou escreve sobre eles. Você tem razão! Quando se diz que o livro é um romance, e principalmente quando o narrador é um outro que ainda assim recebeu o manuscrito de um amigo, etc,. o autor está criando uma espécie de lenda urbana, uma ficção, portanto, não se caracteriza como um estudo histórico e nem se sujeita a juízo de valor. É uma ficção recheada de fatos históricos ou um fato histórico recheado de ficção. A interface entre a história e a ficção está impregnada de ideologias.

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  6. Caro concièrge, acabo de chegar à página que contém a frase "...janelas abertas às mentalidades coletivas..." e de imediato me lembrei que a li aqui no blog, recentemente. Muito oportuno, você sempre antenado. Gostei do final do livro, do início e do meio. Gostei das questões levantadas e acho que será um debate profícuo. Os mais apaixonados pela luta política, como Winter, Lilian e Novaes/ não deveriam perder. Os menos apaixonados tampouco, pois despertar paixões é uma das capacidades deste Clube.

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  7. Eu não sei, Rita, se "a dúvida é amiga", como você diz. Pode ser, até certo ponto. Porque demais pode paralisar. E quanto "a certeza absoluta" parecer "um grande passo para o abismo do engano", sim, é verdade, pode ser. Mas sem as certezas (mesmo que erradas e mesmo que a um grande custo) não se anda adiante. São as certezas que fazem o mundo avançar. Cai-se no abismo de vez em quando, mas como viver e avançar sem algum tombo? Aprende-se com eles e com isso o processo avança. Se não ficamos como as pessoas que não amam para não se machucarem (o amor também é um salto no escuro, afinal). Não se machucam, mas também não vivem. Sou plenamente a favor das certezas. Sem elas, nos tornaríamos amorfos.

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  8. Que bom que proliferam pontos de vistas vários, Newton! A dúvida a que eu me refiro é um pouco no sentido de humildade também, da gente deixar espaço para as verdades dos outros, já que não acredito em uma única verdade, para estar aberto a ouvir e talvez mudar dependendo do que ecoar aqui dentro, de não ter compromisso com o erro. Já a certeza, eu acho que a gente pode se aventurar e dar o salto mesmo sem tê-la. Não ter certeza não quer dizer ser covarde, quer dizer que a gente vai arriscar, tentar, mas sem saber 100% se outro caminho seria melhor. Isso a gente só sabe depois. Grandes certezas podem representar avanços ou tremendos retrocessos, mas cada um é cada um e desde que a pessoa se sinta bem com suas dúvidas ou certezas, tá tudo bem. E em ambos os casos há níveis e níveis, é claro.

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  9. Sim, níveis, tem toda razão. Nada é absoluto. Pelo contrário, é dialético... Acho que toda grande certeza está carregada de dúvidas. E vai em frente apesar delas ou mesmo por causa delas. Claro que toda boa certeza incorpora as verdades dos outros, inclusive as dúvidas dos outros. A certeza a que me refiro não tem a ver com nenhum tipo de "verdade absoluta" e nem de "certeza absoluta". Penso que a nossa certeza (sobre algum assunto) vai se construindo. O que ocorre é que chega uma hora em que amadurecemos a nossa certeza (e não necessariamente é uma verdade). Nesse ponto, damos um passo a frente. A dúvida é sábia, como vc bem pontuou. Apenas tentei completar que ela será sábia desde que, no confronto das reflexões, leve a uma conclusão (ainda que momentânea e ainda que equivocada).

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  10. Agora , penso o inverso:...Esse debate deve ser levado ao Face. Essa é uma certeza. Serão mais lidos.
    Barra, vc continua a ser uma antena: "Penso que a nossa certeza (sobre algum assunto) vai se construindo." Amei seu comentário.
    Elô

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  11. Em "O jardineiro fiel", livro do mês de setembro, há uma passagem que aborda de forma interessante essa questão das certezas e das incertezas. Sugere que as certezas seriam inimigas naturais nas relações interpessoais, a menos que haja boa vontade ou amor entre as pessoas, o que tornaria tais certezas emblemas de coragem.

    Navegar é preciso, com certeza, todos sabem. Viver, no entanto, é muito incerto. Se as certezas nos instigam à ação, por outro lado as incertezas mais parecem ondas que quebram incessantemente nas margens do que acreditamos. No limite, certezas podem levar ao fanatismo, incertezas à esquizofrenia. Há dias incertos em que eu vago sem destino por aí, enquanto em outros estou seguro que desta vez é pra valer, achei o prumo da minha vida. Algumas de minhas certezas são arriscadas e tenho aquelas incertezas que considero necessárias. Desconfio das certezas monolíticas que caem sobre nossas cabeças desprevenidas, e me simpatizo com as incertezas sensíveis de um coração apaixonado. Só fico tranquilo quando tenho certeza que entendi o que alguém tenta me dizer apenas com o olhar.

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