CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

26 de maio de 2014

O erotismo de "A chave de casa" te inspira? Mande teu texto para publicarmos!



Elenir

Um amor impossível





Na penumbra da sala, um homem e uma mulher. Roque e Luiza.

Duas taças na mesa. Cintila o cristal.

O vinho vermelho, forte, cheiroso, aquece, embriaga, inebria.

Nos castiçais, velas trêmulas iluminam olhares sedentos.

Na vitrola, Charles Aznavour e La boeme. Sensualidade e arrebatamento impregnam o ambiente.

Olhos se cruzam, mãos hesitantes, nervosas, se estendem, se apertam, desatam os nós.

No chão, o tapete macio, felpudo, convida. Enlaçados, em vertigem, deslizam.

Bocas se colam, línguas se tocam, trocam sabores, liberam desejos, acendem paixão.

Pele com pele provocam tremores, quebram temores, corpos reclamam, rompem as amarras, se soltam, se esfregam, se entregam, levitam no ar.

Estrela cadente risca o momento, abrindo no espaço um rastro de luz.

Instante fugaz... Lassidão...

Fogo se apaga... Caminhos opostos...

De novo, o vazio...

Outra vez, solidão...


3 comentários:

  1. Obrigada, Rita! O erotismo persiste.
    Beijos

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  2. Adorei, Elenir. Muito bom. O fogo do erotismo e a suavidade da poesia, belo casamento...

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