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O Clube de leituras não obrigatórias

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28 de fevereiro de 2014

Rubens Figueiredo, tradutor do livro do mês - Oblómov: Ivan Gontcharov

(Esta reportagem foi realizada por ocasião da premiação do escritor enquanto ele traduzia Oblómov diretamente do russo para o português)

O quadro desta semana é com o escritor carioca Rubens Figueiredo, que na segunda-feira foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Livro do Ano por Passageiro do fim do dia (Companhia das Letras). O romance mostra o protagonista numa longa jornada de ônibus pelas ruas congestionadas de uma cidade grande, saindo do centro em destino a um bairro periférico. Em meio a um infindável congestionamento, ele observa distraído o que se passa dentro e fora do coletivo, enquanto ouve seu radinho e lê um livro.

TL – Qual o primeiro livro que marcou sua vida?

RF – Foi um livro do Monteiro Lobato, As aventuras de Hércules. Eu tinha uns nove anos, calculo, porque lembro que estava no primário e também por alguns detalhes do quarto onde eu lia, onde dormiam meus avós. Fiquei empolgado com as histórias das lendas gregas e com as criaturas estranhas. Mas a verdade é que nunca li de novo esse livro.

TL – Qual o livro que mais mexeu com você?

RF – Acho que foi Memórias do cárcere, de Graciliano Ramos. Talvez por causa da firmeza com que ele exige o máximo da observação. Aos poucos, o mundo fechado a prisão se reconfigura como o próprio mundo social, em seu todo.

TL – O que você está lendo?

RF – Estou lendo e traduzindo um romance russo do século 19 intitulado Oblómov, de Ivan Gontahcaróv. Dominado por uma inércia ou apatia quase feliz, o herói passa mais ou menos as primeiras cem páginas sem conseguir levantar da cama e sair do quarto. De um humor desconcertante, compreende uma crítica séria da estrutura desigual da sociedade.



Um comentário:

  1. Muto bem, Concièrge atento! Vamos ler e refletir sobre um dos grandes!

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