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O Clube de leituras não obrigatórias

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4 de abril de 2013

Resenhando “Viagem no Ventre da Baleia” – de Raimundo Carrero, Editora Tempo Brasileiro, 140 páginas


(por: W.B.)

Religiosidade, culpa, política, violência são os temas principais de “Viagem no Ventre da Baleia”, romance que conta principalmente a história de Jonas, Miguel e coronel Salvador Barros.

O romance se inicia com padre Paulo enfrentando a difícil situação de manter a paz do lugarejo onde o conflito sangrento entre camponeses e o dono de terras Salvador Barros parece inevitável. Miguel tenta lutar pelos campesinos, mas os meios pacíficos que usa são apontados como ineficientes. Jonas opta desde o princípio pelo confronto armado e incita os lavradores à luta.

Os dias vão se passando, a tensão crescente no vilarejo.

No meio do texto surge um pontilhado que ocupa duas linhas, e aí se inicia uma narrativa paralela em primeira pessoa, que, apesar da pontuação comum, segue toda em letra minúscula e num só parágrafo contínuo. Depois há novamente o pontilhado de duas linhas e se retorna ao estilo textual anterior. Isso se dá várias vezes ao longo do livro, e o leitor entende que os trechos contínuos em minúsculas são a confissão do Coronel Salvador Barros entrecortada à história.

Miguel, em vários momentos, folheia uma caderneta de lembranças onde anotou citações bíblicas, pensamentos religiosos e políticos, bem como acontecimentos de sua vida. Partes desse caderno também passam a integrar o romance, enriquecendo ainda mais a narrativa e trazendo passagens da vida de Miguel e Jonas, amigos desde muito tempo. Tais recursos, usados com a conhecida mestria de Carrero, resultam num romance substancioso e profundo.

(RAIMUNDO CARRERO AINDA NÃO FOI DEBATIDO PELO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ)

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