CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

16 de fevereiro de 2013

Num jornaleiro, um livreto do Fitzgerald


(por: W. B.)

Eu estava andando pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, quando, numa banca de jornal, dei de cara com um livrinho do escritor estadunidense Francis Scott Fitzgerald (1896-1940). Desse autor de ascendência irlandesa, nascido na cidade St. Paul (estado Minnesota), eu já tinha lido os romances Suave é a Noite – uma obra-prima pouco reconhecida na época – e O Grande Gatsby, o qual foi adaptado para o cinema (um bom filme, a que já assisti várias vezes, pois reprisava toda hora na extinta tevê Manchete, quando eu tinha hábito de ver televisão).


Aliás, desde que vi O Curioso Caso de Benjamim Button, longametragem baseado num conto de Fitzgerald, tenho curiosidade de conhecer as histórias curtas do cara. Mesmo assim hesitei em comprar o livro exposto numa banquinha num jornaleiro ali na Av. Presidente Antônio Carlos na altura do Edifício Garagem Menezes Cortes. É que, às vezes, a gente se deixa levar por vontades cotidianas e acaba comprando muito mais do que é capaz de usufruir; mesmo em relação a livros, isso também é consumismo: um vício terrível a nos subtrair grana, dando-nos em troca produtos que acabamos não usando. Se bobear, começo a comprar mais do que posso ler – e já tenho uma pá de obras que ainda não consegui desentocar da estante.

Afinal resolvi adquirir o volumezinho lançado pela editora L&PM – o número 528 da coleção Pocket – e comecei a leitura imediatamente (pra justificar a compra perante minha consciência). Trata-se dum exemplar de bolso com 134 páginas reunindo três historietas, a saber: O Diamante do Tamanho do Ritz, Bernice corta o Cabelo e O Palácio de Gelo.

O Diamante do Tamanho do Ritz conta uma aventura incrível vivida pelo personagem John T. Unger, quando este vai passar férias na fazenda dum colega endinheirado, o "quieto e bonito" Percy Washington. Lá John fica sabendo que o amigo de turma usufrui duma riqueza muitas vezes superior a dos homens  tidos como mais ricos do planeta. A fortuna secreta dos Washington (que, se descoberta, desestabilizaria a economia mundial) incluía um diamante maior que o Hotel Ritz-Carlton.

Em Bernice corta o Cabelo, uma moça do interior passa uma temporada na cidade, hospedada na casa duma prima fútil e inescrupulosa, mas extremamente popular e cheia de truques para obter admiração dos garotos. A interiorana Bernice faz de tudo para se aproximar da prima, e aprender com ela suas artimanhas e seduções. Intrigas, vaidades e conflitos surgem, mostrando para nós, leitores, o quanto a juventude pode ter aspectos perversos.

A terceira narrativa encerra o livreto belamente. É um texto escrito em 1920, chamado O Palácio de Gelo. Nele acompanhamos a personagem Sally Carrol Harper, uma jovem de 19 anos, em sua vontade de ampliar horizontes, abandonando sua cidadezinha, indo para o Norte. Mas ideias, hábitos e valores a prendem ao Sul. Assim Sally debate-se entre o noivado com um nortista e a fidelidade a sua alma sulista. Se a vida provinciana lhe parece uma prisão, a jovem põe-se a pensar até que ponto os valores "ianques" da família do noivo também não poderiam vir a ser um cárcere gélido e impessoal.

É, valeu a pena ter comprado o livro O Diamante do Tamanho do Ritz e Outros Contos. E parece que, além desse, há muitos lançamentos interessantes nessa coleção de livros de bolso da editora L&PM. Se eu fosse você, daria uma olhada.

(FRANCIS SCOTT FITZGERALD AINDA NÃO FOI DEBATIDO NO CLUBE DE LEITURA ICARAÍ)

8 comentários:

  1. W.B., seus textos são preciosidades que enriquecem o blog do CLIc.

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  2. Conheço bem o consumismo por livro, ao invés de sapatos compro livros, nas crises e fora das crises. Depois que entrei para o Clic a compulsão só tem aumentado, agora quero ler este livro tão bem recomendado. Agradeço a dica, vou lá.

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  3. Winter, obrigada pela dica. Vou deixar anotada aqui para quando a fila diminuir mais um pouco. Á propósito do consumismo, mesmo que de livros, deixo uma sugestão da Rose Pinto, que é a de levarmos para as reuniões livros que desejamos trocar. Continuamos alimentando nosso saudável vício e o bolso não fica tão sobrecarregado. Que tal? No próximo encontro, levarei alguns com esta finalidade.

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  4. Winter, creio que já comentei esse texto em seu blog (ou pensei fazê-lo). Adoro Fitzgerald. E atendendo as insistências de Rita e Rose rsrsrlevarei O Grande Gatsby para empréstimo rotativo. Agora, pra vc , levarei "Seis Contos da Era do Jazz". Como vc é muito ocupado, proponho-me fazer cópia de um conto, um só, especial , cuja leitura gostaria de dividir com vc.Um conto intrigantemente
    metafórico:"Ó Feiticeira Ruiva". PS. Do livro não me desapego, por enquanto.Levei anos até recuperar um outro volume comprado em sebo.Amo esse livro.Tirarei cópia , e depois gostaria muitode seu comentario sobre ele.
    Parabéns por seu motivador texto.
    Abraços,
    Elô.
    PS.Caso interesse a mais alguém ,é só mandar pedido a meu e-mail.Ou aqui mesmo.

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    1. Elô, envia para o meu e-mail o conto que você vai disponibilizar para Winter "Ó Feiticeira Ruiva", também gosto do Fitzgerald, e se voc^Çe puder disponibilizar e enviar outros contos do mesmo estou a espera, abração de coração, Gilberto Beserra - Natal Rio Grande do Norte - gibadois@ig.com.br

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    2. Elô, também gostaria de ler o conto do Fitzgerald - gibadois@ig.com.br

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    3. Elô, tô nessa. Mande-me tudo, não me esconda nada....!!!

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    4. Giba e Newton, mandarei, como mandei para Rosemary.Espero que curtam e coementem.Adoro esse conto "Ó feiticeira ruiva"!

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