CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

1 de março de 2013

Entrevista coletiva com Carlos Rosa Moreira



O CLIc traz mais uma novidade para você. A entrevista coletiva com nossos leitores-escritores. Libere o jornalista que há dentro de você e faça suas perguntas a Carlos Rosa, que recém lançou seu livro de contos, Histórias da noite*.

Histórias da noite, cujas impressões dos participantes que já leram podem ser conferidas na aba Review deste blog, é o primeiro livro de contos de Carlos Rosa, figura já consagrada no gênero Crônicas.



São dele ainda A Montanha, o Mar, a Cidade* e Amanhã de manhã, em frente ao cinema Icaraí*.

Então, o que você gostaria de perguntar ao escritor? Deixe sua questão no campo Comentários e aguarde pela resposta do autor.


* À venda na estante do concièrge. Peça o seu enviando um email para conciergeclic@gmail.com.

55 comentários:

  1. Salve Carlos, que bom que você abre esta oportunidade de diálogo entre leitores e escritores!

    Recentemente, conversando com um amigo que está prestes a lançar seu primeiro romance, ele disse, para espanto geral das pessoas que o ouviam, que as editoras geralmente só contratam novos autores que já demonstraram sua capacidade na produção de um romance. Então eu pergunto: contistas e cronistas precisam escrever romances se quiserem se projetar profissionalmente no mercado literário? Livros de contos e crônicas são menos procurados por leitores, em geral? Nós do CLIc não temos fugido desta regra porque em 15 anos de clube de leitura, o único livro de crônicas e contos que lemos foi "A Montanha, o Mar e a Cidade", de sua autoria.

    Mr. EPA

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  2. Olá Carlos, de novo eu!

    Que tipos de estórias e personagens podemos esperar na leitura de "Histórias da Noite"? Já li várias crônicas e contos de sua autoria, mas, toda vez que os relembro, a primeira personagem que me vem à mente é Eugênia. Encontrarei outras personagens desse quilate no seu novo livro?

    Mr. EPA

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  3. Gostaria que você nos contasse porque decidiu escrever um livro de contos se a crônica sempre foi seu gênero eleito. Significa novos experimentos? Está querendo diversificar? Será que em breve teremos um romance ou um livro de haicais? Já vi um haicai lindo seu na página da Academia Niteroiense de Letras.

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    1. Rita, obrigado. Já escrevi livros anteriores nos quais misturava contos e crônicas. Foi assim com os quatro primeiros, mas nunca houve a ideia de diversificar. Os contos sempre foram, para mim, experimentais. Acredito que não é difícil, para o leitor, perceber que não existe uma linha. Mas nesse último procurei fazer isso, histórias com um certo padrão. Romance sempre foi o meu objetivo. Todas as minhas histórias longas são ou foram projetos de romances. As crônicas surgem aos borbotões, tão naturais quanto respirar, e eu adoro isso, são gostosas de fazer. Quanto aos haicais, também são experimentos, não ouso tentar a poesia, não tenho talento para ser poeta.

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  4. Prezado Carlos,
    Conta pra gente como acontece sua escrita: em que horário costuma escrever? é todo dia? você tem alguma organização para isso, ou vai ao sabor da inspiração?
    Outro detalhe: escreve no silêncio total ou coloca uma musiquinha de vez em quando?
    Abs,
    Newton

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  5. Olá, Carlos, boa noite! Você recebe muitas surpresas com a percepção do leitor com relação as suas obras? Ou seja, o público interage de maneira surpreendente de forma a trazer muitos questionamentos? Como tem sido seu relacionamento com o público leitor?
    Muito grata. Sucesso! Abraços!

    Sonia Salim

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  6. Carlos
    Sei que você pensa em publicar um romance. Quando ele sairá?
    Gracinda

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  7. Oi, Carlos,
    Quando você começou a escrever, sentiu a inflência de algum escritor? Ou de vários? Ou não houve? Em caso positivo, qual ou quais?
    Aprecio muito a leitura de seus livros. Sejam Crônicas ou Contos. Gosto do seu estilo!
    Aguardo o próximo.
    Elenir

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    1. Oi Elenir, obrigado pela pergunta e pelo gentil comentário. Quando comecei a escrever, lá pelos 17 anos, idade em que desejei fazer algo realmente sério, acho que queria ser como Hemingway. Até hoje faço experimentos baseados em teorias dele. Nesse livro "Histórias da Noite", há muito resquício disso. Muitos e muitos anos depois, já tendo publicado dois livros, descobri Rubem Braga, mas não foi uma influência, e sim, uma grande identificação de gostos, temperamento, forma de pensar e de escrever.
      Carlos.

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  8. Meu caro Epa: Acredito que o romance ou a novela projetam mais o escritor. Até o chamado comercial é mais forte no gênero romance. Por isto, acredito sim, que as editoras valorizem mais, sob o aspecto comercial, o romancista. É claro que não falamos em expoentes literários consagrados, nem em celebridades que recebem forte propaganda, falo do escritor que se lança. Até mesmo no leitor há essa tendência. Já percebi várias situações nas quais as pessoas querem indagar: "Mas quando você pretende escrever um livro mesmo?" É claro, estão se referindo a uma história longa, um romance, ou novela. O conto é muito técnico, e a crônica é um gênero solto demais, muitos não dão muita importância às crônicas, como se fossem algo descartável. Querem um nado longo, como é oferecido pelo "mar romance". Resumidamente é isso que penso sobre o assunto, que é longo e demanda uma boa e demorada conversa.
    Hoje, pela correria e escasso tempo, talvez os gêneros curtos estejam mais procurados, talvez... Já ouvi isso, mas não acredito muito, a tendência de quem vai à livraria é sempre pelo gênero longo. Acho que romances e novelas são mais procurados pelo público. A crônica perde para o conto e o romance.
    O meu livro "Histórias da Noite" é experimental. Há ali contos e, talvez, uma ou outra novela, ou tudo é conto, depende de um julgamento técnico, com o qual não me preocupo, e acredito, tampouco o leitor. Não me situo bem no gênero conto, faço experimentos. Há no livro tentativas de criar dentro de certas correntes literárias. Isso passa "batido" para o leitor, mas para quem escreve é importante. Reuni histórias que têm um padrão semelhante e coloquei um nome que as identifica, mas não significa que seja o meu estilo, no gênero conto, ainda "não me achei". Acho que "Eugênia" provoca mais afinidade com o leitor, justamente por ser uma história longa.
    Obrigado pelas perguntas. Carlos.

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  9. Meu caro e talentoso Barra: O ideal para mim é trabalhar das seis até onze ou meio dia, todos os dias. Pela manhã o cérebro está melhor, é ótimo para mim. Sou organizado e aproveito as inspirações, mas não dependo delas. Prefiro o silêncio, ou os ruidos da natureza. Raramente e muito baixinho, uma música clássica.
    Obrigado.
    Carlos.

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  10. Oi, Sonia, obrigado pela pergunta. Sim, são surpreendentes os diferentes questionamentos dos leitores. E isso ocorre com qualquer obra e leitores. Para alguns a história mata de rir; e para outros, a mesma história traz muita tristeza. Também as interpretações são várias e surpreendentes, me surpreendem! Meu relacionamento é ótimo, pois considero que um livro depois de publicado pertence ao mundo, e tudo é possível de acontecer com algo solto no mundo. Opiniões boas ou não são bem recebidas por mim. Por ter tido relacionamentos com leitores e percebido as diferentes opiniões, sou totalmente contra as interpretações de texto nos moldes feitos nos curriculos escolares.
    Carlos.

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  11. Gracinda
    O romance já tem até nome, pelo menos, provisório. Tenho três projetos de romances arquivados desde muito tempo. Escolhi um deles para realizar primeiro. Preciso, entretanto, de um tempo, não um tempo cronológico, mas de um tempo de mergulho na história, como se fosse uma viagem. Para tanto, há a necessidade de equilibrar certas coisas, não demorará, pretendo começá-lo neste ano de 2013.
    Obrigasdo pela pergunta.
    Carlos.

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  12. Olá Carlos, sinto imensa curiosidade pela estante dos escritores. O que tem na sua estante? A aquisição de seus livros conta uma história por certo. Pode dividi-la conosco? E ainda: qual personagem da literatura mais te marcou? Pq? E o que indicaria para um iniciante na leitura dos contos?

    Bjs

    Niza

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    1. Olá, Niza, obrigado pelas perguntas. Na minha estante teve de tudo, de quadrinhos aos clássicos, hoje vou depurando, até por falta de espaço. Ando muito a reler, acho que releio mais do que leio. Tenho uns preferidos estrangeiros e outro tanto brasileiros. Guardo livros em que certas passagens, de interesse e beleza, me fizeram guardá-los. É difícil enumerar os autores, são muitos. Essa escolha remonta ao tempo em que a aquisição conta uma história, como você diz. R.L. Stevenson, os clássicos infanto-juvenis, o Tesouro da Juventude, os quadrinhos do meu tempo, Karl May (infanto-juvenil) e outros que povoaram a mente com belíssimas aventuras. Depois veio a descoberta da Literatura mais adulta. Primeiro a estrangeira, com Hemingway, Conrad, W.S.Maughan, Dostoievsky, Tolstoi e vários outros (li esse povo em idade bem "tenra"). Quase ao mesmo tempo descobria os brasileiros, pois tive a sorte de ter sempre uma boa biblioteca em casa. José de Alencar, Aluisio Azevedo, Lima Barreto, Jorge Amado, Graça Aranha, Eça de Queiroz, os regionalistas nordestinos com ênfase para José Lins, e muitos outros. Minhas leituras não obedeciam a padrões, lia tudo.
      Então, descobri o Machadão, e as coisas mudaram. Minha maneira de ver a escrita mudou. Mas continuei lendo de tudo,até gostava (pasmem!) de ler a lista telefônica (onde descobri um Hitler) e enciclopédias. Depois, com a velhice, as coisas foram se assentando, e hoje estão mais organizadas e depuradas.
      Muitos personagens me marcaram, posso citar alguns, mas cometerei injustiças, pois esquecerei outros, mas vamos lá: me marcou o Jean Valjean (os Miseráveis), o Santiago (O velho e o mar), o Raskolnikov, o Julien Sorel (O vermelho e o Negro), o Florentino Ariza (do G. G. Marquez) e tantos outros, vários brasileiros, que até é difícil lembrar, é preciso fazer uma reflexão e conversar sobre o assunto, aí a gente vai lembrando.
      Para os contos sugiro ler os nacionais e os estrangeiros (são diferentes em sua gênese). Machado, Anibal Machado, Rubem Fonceca, Osman Lins, Lima Barreto, Orígenes Lessa, Graciliano, Lygia Fagundes Telles, Márcia Denser, o Chico Lopes, tem muita gente, leiam todos.
      Dos estrangeiros, sugiro Hemingway, W.S.Maughan, o magnífico Guy de Maupassant, Anthony Trollope, Dickens, Bernard Shaw, Conrad, Katherine Mansfield, nossa! Tem muita gente, esqueço vários e peço desculpa a eles. Quer saber o que é importante? Leia tudo, faça experiências, seja generosa consigo e gaste seu tempo em leituras.
      Carlos.

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  13. Oi Carlos - bom dia! Você faz parte do Cenáculo Fluminense, da Academia Niteroiense de Letras, do movimento dos Escritores ao Ar Livre, dentre outros grupos ligados à produção literária. Do que sente falta na cidade para um maior fomento e incentivo a antigos e novos escritores?

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    1. Oi, Cris, obrigado. Falta em Niterói aquilo que falta no Brasil: um projeto cultural. Não eventos culturais, isso vem no bojo de um projeto, aqui temos apenas eventos. Falta crítica literária de peso na cidade (no Brasil também, são poucos os críticos). Niterói é pródiga em artistas: pintores, atores, músicos, escritores. Falta um projeto que valorize o que é da terra. Faz coisa de uns três anos, criei uma proposta para um "caminho literário" no Campo de S. Bento. As aléas e os espaços do Campo receberiam os nomes de escritores niteroienses e intelectuais que já se foram. Haveria uma placa com trechos de prosa ou poesia dos autores. Não fui eu que inventei, existe essa riqueza em Portugal, Paris, Budapeste e em outras partes do mundo. A proposta foi ao prefeito, eu mesmo (contra a minha vontade) entreguei nas mãos de seu secretário, e lá ficou, enfurnada nalguma gaveta. Não era coisa cara , não, demandava pouco esforço, mas ficou por isso mesmo. Temos uma "intelligentsia" de terceiro mundo. Há mais riqueza, a classe C vai a Paris e anda de navio, troca-se de carro todo ano, mas as cabeças são de terceiro mundo seja qual for o extrato da sociedade. Temos professores de terceiro mundo, magistrados de terceiro mundo, políticos de terceiro mundo e por aí vai, com as honrosas exceções. Niterói precisa disso, um modo de pensar de primeiro mundo.

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  14. Carlos, bom dia! Já aconteceu comigo, certa vez, achar que coisas estranhas começaram a ocorrer na minha casa depois que adquiri uns enfeites num brechó. Estaremos lendo em breve no clube de leitura o livro da Isabel Allende que fala do poder de alguns objetos usados em sessões de vodu. Será que havia alguma coisa misteriosa e que realmente deflagrou transformações no narrador de "A Cômoda", como acho que aconteceu comigo, ou isso não acontece na vida real, na sua opinião?

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    1. Olá! Quando me perguntam em que acredito, digo sempre e é verdade: "sou desconfiado!". Minha tendência é sempre levar acontecimentos estranhos para o lado lógico e racional, não fico a mistificar, embora seja mais interessante. Acredito que certas coisas ou objetos podem nos fazer mal (ou bem, vide amuletos) se assim formos levados a acreditar, se deixarmos a imaginação fluir para certas paragens. Aquilo que aconteceu com o narrador é bem comum, acontece frequentemente na vida real. Entretanto há mistérios neste mundo, por isto digo que sou desconfiado, submeto, muita vez, minha racionalidade a coisas inexplicáveis, e fico quieto, desconfiado...

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  15. Escatombe, título de uma das crônicas de seu novo livro "Histórias da Noite", onde você descreve magistralmente alguns personagens miseráveis da noite carioca, seria um neologismo?

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    1. Olá, Evandro. Sim, "Escatombe" é um neologismo, na minha opinião, infeliz e feio. Mistura escatológico com hecatombe. Barbaridade, não?

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  16. Boa tarde, Carlos!

    Recentemente saiu na mídia uma crítica de Paulo Coelho ao clássico "Ulisses" de James Joyce, em que o brasileiro teria dito que "não há nada lá", em Ulisses, que o livro é puro estilo. Que reflexões você faz sobre a inserção de uma obra literária na sociedade, na história, na economia, política, ciência, na necessidade de transmitir uma mensagem, etc. A obra literária deve ser engajada no mundo em que vive o autor ou este deve se comprometer apenas com suas pulsões e com a ciência dos gozos da linguagem, no caso da obra literária ser auto-referente?

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    1. Evandro:A Literatura é fundamental, em tudo na sociedade. Penso que arte e filosofia ´ser ensinadas como a base de tudo, tudo seria mais fácil e lógico com o ensino dessas matérias. Por que seria? Porque as artes e a filosofia abrem a imaginação, fazem pensar, provocam o individuo, levam-no a refletir sobre o mundo. As matemáticas e os idiomas se tornariam mais fáceis de aprender. Quando digo arte, me refiro à Literatura, Pintura, Cinema, Música, Fotografia, Artes Cênicas e várias outras manifestações de igual importância. No caso específico da Literatura, e da Literatura de ficção, vista com restrições à sua utilidade por incautos e por pseudos "práticos", diria que, além de várias outras coisas, ela surpreende o individuo, coloca-lhe diante dos olhos situações que não imaginava, provoca-o para descobrir que certas coisas "pequenas", na verdade são fundamentais, enfim,traz reflexão, vivência, provocação. POde ser só entretenimento? Claro que pode. Dificilmente um Morris West será mais do que entretenimento, com algumas ressalvas de coisa ou outra mais profunda. Dan Brown provocou todo mundo com um excelente entretenimento, pena que acreditaram na superfície, mas quem se aprofundou a pesquisar, certamente descobriu coisas interessantíssimas, que já deveria saber, mas´sempre é tempo de se descobrir. Quer saber como era o Rio no início do´séculoXX? Pegue um livro de História do Brasil e saberá. Mas saberá o "latu", como alguém que conhece uma paisagem olhando de um avião. Quer saber como era a sociedade daquela época, como pensava o homem pobre e o rico, a velha, a mãe de família e a mocinha? Quersaber como se vivia de verdade no Rio daquele tempo? Leia Literatura. Leia Machado, Lima Barreto, mAnoel de Almeida, Luis Edmundo e outros.
      Não gosto desses patrulhamentos que dizem que todo autor tem de ser engajado. Não tem. Tem é de fazer sua obra, que dificilmente não refletirá o mundo em que vive. Mas nada impede que se faça um romance de capa e espada passado no séc. XVI ou um romance futurista com aventuras galácticas. O autor tem de ser livre para seguir seus
      objetivos, nada de se importar com modismos ou patrulhamentos.
      Não li Ulisses, nada posso dizer sobre a afirmação do Paulo Coelho, mas posso dizer que o exercício de estilo é coisa bem comum. Um autor que vocês leram no CLIC, o excelente contista Caio Fernando Abreu, fazia isso com frequência. Eu mesmo, modestamente, também faço, e esse meu último livro é exemplo disso. E acredito que, em boa parte de qualquer obra literária, exista muito do autor.

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  17. Boa tarde Carlos, queimei meus dois neurônios para fazer essa simples pergunta, pedi até ajuda aos universitários jornalistas de plantão (rsrsr). Bem, certa vez num encontro sobre filosofia e literatura na casa de Fred, ouvi voce dizer que para escrever se isolava completamente. Na hora me passou pela cabeça te perguntar, mas outras questões surgiram no debate e acabei desistindo. Então pergunto agora: Quais ruidos te perturbam mais na hora de se concentrar para a elaboração de um trabalho, os ruidos externos ou os internos ou você elimina um para lidar com o que faz mais algazarra? (acho que não soube elaborar a pergunta decentemente - de-me vários descontos, sou sempre caótica).

    Justifico minha curiosidade justamente porque quando quero escrever o que quer que seja, os ruídos internos me torturam, se atropelam, gritam ao mesmo tempo, é como se estivessem numa porta extremamente estreita e todos quisessem sair ao mesmo tempo.

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    1. Helene, obrigado pela pergunta. Gosto do silêncio para escrever. É preciso haver silêncio. O pior barulho é o repentino. Quando há silêncio e a gente está concentrado, de repente, alguém grita ao nosso lado. Isso é mortal, sinto uma dor quase física. Mas qualquer ruído é ruim.

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    2. Helene - deixa sair! O processo criativo começa na massa confusa. Escreve para deixar fluir...

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  18. Olá, Carlos,


    Affonso Romano de Sant’Anna abordou há dois ou três anos, num excelente trabalho, "O leitor, onde está o leitor? ou a crise da escassez e do excesso", a questão paradoxal vivida no Brasil. Há excesso de oferta de livros no Brasil, mas falta leitores. Na opinião de Affonso Romano, precisamos produzir mais leitores...

    Você tem alguma opinião sobre essa questão da formação de leitores. Onde estamos errando? O que precisamos para formar mais leitores?

    Um abraço,

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    1. Antonio, obrigado pela pergunta. Não estamos errando, apenas nunca fizemos, ou seja, sequer chegamos a errar, somos ausentes. Coloco na segunda do plural para acompanhar sua pergunta, mas não me incluo nessa ausência, tampouco você. É preciso um projeto de cultura.Um trabalho visionário que saiba que a Literatura e o leitor de hoje está ligado à informática, é um leitor completamente diferente do que eu, por exemplo, fui e sou, é preciso despertar o interesse para um livro que já é diferente daquele que gerações anteriores leram. Apesar do conteúdo ser o mesmo, o chamado à leitura e o livro em si, mudaram e mudarão mais. Acredito muito na força das pequenas cidades. É ali que os governantes precisam investir, descobrir talentos, incentivar a cultura. Há muita sede nas pequenas cidades e comunidades, há muitos talentos. Acredito que haja muitos leitores latentes.
      Carlos.

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  19. "A Viagem", terceira crônica de "Histórias da Noite" deixaria as mais doces impressões de uma bela história de amor se não a atravessasse aquele mal estar assombroso de um sentimento trágico que a vida tem.

    E em seguida vem "Eugênia". Alguém já encontrou personagens mais repugnantes na literatura mundial que os criados por Carlos Rosa nesse conto?

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    1. Evandro, vc exagera para provocar. O Humbert Humbert, de Lolita, é muito mais repugnante. De Eugênia eu senti até uma certa ternura pela protagonista, digna de pena, rejeitada pela sociedade. Já a mãe e o handicapé são também envolvidos por um clima de cumplicidade e aceitação das diferenças que o mundo negou. É uma escolha difícil, improvável, mas possível. Eu acho que Carlos conhece muita gente e sabe de muitas histórias cabeludaças e com sua ficção imita tão bem a realidade que a gente esquece que a vida também imita a arte.

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    2. Evandro - tira a Eugênia da cabeça homem!

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  20. Pois eu acho que os personagens de "Lolita" são querubins celestes perto dos personagens de "Eugenia". Uma enquete no CLIc constataria isso tranquilamente.

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  21. OK, Cris, passemos então a falar da próxima crônica, "Aromas", em que o escritor trata de assunto que aprecio: Órion, a Cruzeiro do Sul, o romantismo da juventude e com um grande arremate final de quem na maturidade sabe o tempo de cada coisa em nossa vida.

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  22. Falando nisto Evandro, há uma matéria na revista Galileu, edição de fevereiro 2013, chamada MAIS QUE 5 ESTRELAS, que me fez lembrar de você e da Cinthia. Fala de hotéis que criam opções para astrônomos amadores ou não, para aproveitar a demanda do turismo de observação astronômica. Ficam em áreas afastadas, com boa visibilidade e telescópios potentes. Exemplos: hotel Atacama no Chile ou na Finlândia, onde é possível ver a aurora boreal. Há a informação que no mês que vem, está prevista a melhor aurora dos últimos 50 anos.
    Aromas é um conto lindo, poético, cheio de sensibilidade e sabedoria. É um dos meu preferidos no livro.

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  23. Carlos, a escapada do Zé é de uma beleza espetacular. Nesse mini conto você nos transmite o poder da literatura de uma forma arrebatadora. Parabéns! Estou aprendendo a gostar dos gêneros contos e crônicas com a leitura de "Histórias da Noite".

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    1. Evandro, obrigado pelos comentários. É, o Zé, porteiro como tantos irmãos nordestinos, estava sonhando com seu distante chão, fez uma pequena viagem.
      Obrigado outra vez e um grande abraço.
      Carlos.

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  24. Respostas
    1. Não, não é uma charada. É mais uma experiência e um exercício de estilo que muitos escritores costumam fazer. O final fica por conta do leitor.
      Um abraço.
      Carlos.

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  25. para Evandro















    "Que significa flanar? Flanar é ser vagabundo e

    refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem".-É o que nos diz João do Rio, em A Alma Encantadora das Ruas. Eu pergunto ao escritor Carlos Rosa, é na vadiagem, flanando, que você tem as suas ideias melhores, observando as ruas?Sim , pois me parece estarem elas bem presentes em sua obra. Ou tudo se dá somente no seu pensamento, na imaginação? Enfim, de onde lhe surgem as ideias eixos de seus contos, crônicas?

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    1. Contam que, certa vez, um vizinho de James Joyce ao vê-lo sentado na varanda com as pernas esticadas e o olhar longínquo, cumprimentou-o e perguntou: "Bom dia, Mr. Joyce, descansando um pouco, não?" E o escritor respondeu: "Bom dia amigo, estou trabalhando". Em outra ocasião, o mesmo vizinho ao ver Joyce podando as plantas, cumprimentou-o e perguntou: "Bom dia, Mr. Joyce, trabalhando um pouco, não?" E o escritor respondeu: "Bom dia amigo, mas estou descansando!".
      Conto essa historinha, que não sei se é verdadeira, apenas para dizer que nem sempre flanar é vadiar. No meu caso e, acredito, no caso de qualquer escritor, flanar pelas ruas pode ser algo como "ir ao encontro da cultura, ou do pensamento, ou da criatividade, ou do estudo". De uma observação de um povo pode surgir uma tese. Se você observar a crônica, vai ver que o narrador busca um Rio que já não existe, talvez, antes ele viaja do que flana. E, nessa viagem, ao contrário de alguém que simplesmente flana vadiando, o narrador mostra-se indignado, revolta-se, ganha sua dose daquilo que chamamos stress, e tira conclusões. A meste dele não está vadia. De qualquer modo, podemos flanar de várias maneiras, apenas vadiando também.
      Obrigado, Elô. Um abração.
      Carlos.

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  26. Carlos, eu nem ia falar mais em "Eugenia", conto que ficou famoso e lhe rendeu o injusto apelido de repugnante, mas hoje, lendo o jornal, tem lá o lançamento de um livro e filme sobre uma psicóloga americana que transou com mais de 900 pacientes que segundo ela tinham problemas sexuais, sendo um deles um deficiente, outro um pedófilo, etc. Aí eu pergunto: quando você traz esses personagens que de alguma forma podem nos causar asco para perto da gente, qual o seu objetivo principal?

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    1. Rita, obrigado pela pergunta. Meu objetivo é contar uma história. Pois é assim que me sinto: um contador de histórias. Um escritor pode se definir de muitas maneiras e é essa a minha definição. Nessa contação de histórias, outros objetivos surgem: o engajamento em algum assunto, etc. E adoro "criar" personagens extremamente comuns, como Eugênia. Dela existem tantas, não? Talvez o meu mérito, se é que tenho algum, seja transformar em interessante o que é banal.
      Um grande abraço.
      Carlos.

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    2. Será que alguém acha Eugênia banal?Lemos o mesmo conto?O conto, em questão, cria estranhezas.E realmente vc conseguiu fazer um conto interessante.

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  27. Carlos, adorei as historinhas verdadeiras ou não, de Joyce. Será que se sentiu com o termo vadiar? Eu vejo de forma super positiva para a arte.Canto com Clementina, "Fui feita pra vadiar".E quanto à criação dar-se nesses passeios, nessa vadiagem, vc não me respondeu.Não mereço resposta? Percebo nos seus contos , crônicas que vc flana bem! Creio que flanando temos ideias excelentes.
    Sua sempre admiradora,
    Elô

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    1. Desculpe, Elô, se não respondi completamente. Nada tenho contra o termo vadiar, que pode ter várias conotações. Entendi bem a presença do termo em sua pergunta, e achei bem colocado, nada contra. Sim, esses passeios ajudam o raciocínio e a criação, no meu caso, essa ajuda melhora se no passeio (ou flanar) a minha mente esteja viajando, flanando pelo tempo, viajando entre rostos, atitudes, passado e presente. O tal flanar não será, então, vadiagem, mas uma busca pelo trabalho (daí a historinha do Joyce), uma provocação à mente, às lembranças, à inspiração, à criação. Muitas vezes a simples observação das pessoas traz vários assuntos, especialmente para crônicas, e é preciso anotar as melhores, pois senão as esqueço e perco. A observação da vida, aliada à imaginação, aliadas a vivências e conhecimentos armazenados são as ferramentas para um texto. Por fora corre a inspiração, pensamentos repentinos interessantes que devem ser guardados imediatamente para que não se percam, experiência de vida, recordações de leituras as mais diversas e o que eu chamo para mim mesmo de "chamamentos", ou seja, lembranças surgidas sei lá de onde, trazidas à superfície por uma das coisas ditas acima. Junta´se a isso o amor pela lingua e a vontade de trabalhá-la, a elaboração de um projeto e outras condições e começa-se a escrever. Grosso modo e resumidamente, é isso que ocorre comigo e me impulsiona, prazerosamente, a escrever.
      Um abração e obrigado.
      Carlos.

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  28. Eloisa, esquece essa Eugênia, a danada já fez cair até um meteoro na Russia... Tem nada de banal essa moça criada pelo "flâneur" Carlos Rosa.

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    1. Pois é, mas ele modestamente diz ser banal...Gostei de sua associação,Antônio.

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  29. Carlos, o amor de João por Laíze é incomum, certamente. Poucos homens suportariam uma situação como a que você descreve no conto "Laíze e João". Me fez lembrar um filme de Bergman em que o protagonista declara que poucas pessoas no mundo são capazes de amar, que lhe era possível contar nos dedos da mão as que sabiam amar. João seria uma dessas pessoas? Ou não, isso tem um outro nome? Que tipo de personalidade foi essa com que você caracterizou João?

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  30. Evandro
    Amor comporta várias definições. E em cada fase da vida pode se amar diferente. E, ainda, assim como a inteligência, o amor sofre influências de outros sentimentos muito pessoais. Não sei se o amor de João é incomum. A história, até certa parte, é verdadeira, João e Laíze e a casa com piscina existem, e João é caminhoneiro e matou o amante de Laíze, só mudam os nomes. Historinha bem banal, não? O que pretendi que não fosse banal foi, justamente, o amor de João, ou melhor, o sentimento de João por Laíze. Acho João um cara estranho, você não acha? Laíze, na minha opinião, virou prisioneira de um sonho de João que ele fez virar realidade, e Laíze tem de estar nele. João ama? Por que Laíze se mantém num sonho alheio quando o dela é outro? Incapacidade do escritor? Maluquice? Sei lá... A história está no mundo, não me pertence mais.
    Um abração. Carlos.

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  31. Oi Carlos, muito feliz em encontra-ló neste espaço. Infelizmente ano passado perdi dois livros teus, devido a uma forte enchente que caiu sobre nossa cidade Além Paraíba, MG. Mas hoje acordei pensando vou pesquisar na net e ver se acho alguma coisa sobre Carlos Rosa, e eis aqui minha pesquisa.
    Feliz em saber que vc publicou mais livros.Parabéns.
    Maria Marta Malaquias

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    1. Obrigado, Maria Marta, por sua postagem. Infelizmente não vi sua pesquisa, você a colocou aqui?
      Um abraço.
      Carlos.

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    2. Bom dia Carlos, minha pesquisa foi sobre vc, lembrava-me do sobrenome Rosa, e então procurei no google , por Carlos Rosa, e encontrei este espaço. Na sua função exercida em Sapucaia RJ, vc sempre visita a empresa, até que dia comentei que gostava de ler, sem saber eu que estava falando com um escritor. Recebi 2 exemplares escrito por vc, os quais perdi. Passo a maior parte do meu tempo lendo, gosto muito de romance, e estou a espera de vc escrever um para os teus leitores. Um abraço. Maria Marta

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  32. Bom dia! Carlos. Minha pesquisa foi sobre sua pessoa, como lembrava do primeiro nome e do sobrenome Rosa, pesquisei no Google, talvez na esperança de encontrar algo no face ou em site de editoras. Mas para minha surpresa encontrei este espaço maravilhoso.Afinal no ano de 2003 ou 2004, tive o privilégio de ter duas obras suas , as quais perdi em 2012. Ao desempenhar sua função em Sapucaia-Rj, vc visitava a empresa, e um dia comentei que gostava de ler,sem saber que estava falando com um escritor.Passo a maior parte do tempo lendo, mas confesso, adoro um romance.Um abraço
    Maria Marta

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  33. Olá, Marta, agora me lembro bem. Obrigado por este encontro. O romance está projetado e espero começá-lo ainda este ano, quando pretendo, também, publicar outro livro de crônicas, que já está sendo escrito. É um grande prazer conversar com você. Grande abraço.
    Carlos.

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    Respostas
    1. Obrigado, parabéns e continue escrevendo, pois na leitura alimento minha alma. Um abraço,
      Maria Marta

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