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A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

16 de janeiro de 2013

Por que eu gosto das estrelas?: Aquiles Andrade




Eu gosto das estrelas! Já inventei mil explicações para a existência delas, já dirigi a elas mil preces, já confessei a elas mil pecados. Mas o fato é que todas essas argumentações filosóficas aumentam minha admiração pelas estrelas. Tantas reflexões que às vezes me oprimem, mas outras vezes me libertam, entretanto é nesse leque de sensações que elas me fazem  trafegar.

Gosto quando os doutores da ciência anunciam suas novas descobertas sobre elas e penso com os meus botões: acho que eu já intuía isso há muito tempo! Gosto das estrelas de forma diferente de quando se diz gostar de outras coisas. Explico. É que com elas o meu gostar não é possessivo, não é exclusivista, pois gosto das estrelas mesmo sabendo que milhões de pessoas gostam e quanto mais penso que mais gente está olhando pra elas, mais eu gosto delas.
 Como se sabe, as estrelas nos parecem pequeninas, porque estão situadas a milhões de anos luz, mas mesmo assim, apesar de tão distantes e aparentemente tão fraquinhas, minha admiração por elas não faz diferença.
Falei das estrelas pra muita gente. Pra algumas eu sentia que as palavras proferidas batiam naquela mesma região que batia em mim, fazendo tremer o coração e brilhar os olhos, enquanto outras me olhavam e como se estivessem querendo dizer : “ora, direis ouvir estrelas”!
Mas todas pessoas sem exceção me ouviam. Sim, porque quem há de não ouvir quem fala das estrelas? Ou é um poeta, ou é um louco, ou as duas coisas.
Herodes, não podia ouvir falar das estrelas. Ainda mais que elas, na sua impassível distância, vaticinavam o nascimento de um rei. E não faltaram em todo o oriente quem não queria ouvir falar de estrelas, acreditaram tanto que prestavam honras pra este anunciado rei.
           Herodes não gostava de estrelas. Elas o oprimiam.
Dizem que Abrahão, o patriarca da fé judaica, se iniciou na sua jornada de conduzir os povos semitas para comunicarem com Deus, quando olhava para as estrela. Puxa vida, como eu imagino que sei o que se passava na cabecinha de Abrahão! Posso até imaginar seu diálogo com elas: Como você é bonita! A qual tribo você pertence?  Será que me vê! Como eu queria saber de você? A resposta silenciosa da estrela instilou Deus dentro de Abrahão. 
Eu falei muito de estrelas, falei tanto que um dos filhos virou “astrônomo”. E os outros todos vivem no mundo das estrelas, como diria a Ofélia, aquela do antigo programa de televisão “Balança mas não cai”, que só abria a boca quando tinha certeza, referindo-se ao dito popular dos que vivem no mundo da lua.
Também desenhei muitas estrelas, entre as quais a Estrela de Davi e de Salomão, de cinco e de seis pontas, estrelas de 42 pontas referentes aos antepassados ancestrais de Jesus, estrelas sem ponta, que não aponta nem desaponta.
 Enfim, estrelas me acompanharam. até aquela estrela que me acompanhou mais de perto, que me deixou (temporariamente), que secretamente viveu aqui na Terra, sem que o mundo soubesse que era uma estrela, que viveu brilhando, ainda que escondida, e que aqui assumiu o nome de Isabel e que foi a razão secreta pra eu gostar tanto de estrela.

9 comentários:

  1. Aquiles Andrade sabe conduzir as palavras de maneira a anunciar constantemente o amor num desfecho revelador.
    Lindo e emocionante ao mesmo tempo.

    Maravilhoso! Parabéns!

    Sonia Salim

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  2. Eu também gosto de estrelas! O texto começou tão poético que até achei fugir um pouco seu estilo. Belo texto, Sr. Aquiles!

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  3. Salve, Sr. Aquiles! Que prazer conhecê-lo primeiramente em um texto sobre estrelas. Que delícia de prosa, de assunto, de homenagem ao amor. Saúdo a influência positiva que exerceu sobre seus filhos e o convite que faz a nós leitores, de olharmos mais para um céu de beleza e sensações partilhadas.

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  4. Caro Aquiles Andrade, apesar de perceber que você é um homem fortemente ligado ao Transcendente, ao “Mistério Absoluto do Universo”, não me vem à cabeça outra pessoa senão a figura de Carl Sagan, um cético famoso das ciências do século passado, falecido em 1996, e um cientista muito inteligente. Ficou famosa uma frase dele, que não me recordo se escrita em algum livro ou dita numa série de TV por ele apresentada (Cosmos) nos anos oitenta.

    “Nós somos feitos de poeira de estrelas”, ou algo muito próximo a isto.

    Nada mais tenho que acrescentar a este comentário sobre este seu texto tão carregado de sensibilidade e poesia. Um abraço,

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  5. Então somos a poeira que anseia ser estrela novamente!

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    Respostas
    1. Valeu, Evandro. O astrônomo é você e somos nós que vivemos no mundo da lua? Mas foi legal. Gostei demais dessa crônica também. Ele vai ficar feliz em saber que você gostou e colocou no Blog do Clube de Leitura.
      Abraços,
      Zizia

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  6. Que belo texto! Coisa boa ler ao começar o dia. Sensibilidade, escrita fina, delicioso de ler.
    Carlos.

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  7. AH! ACHEI O TEXTO>>>GOSTEI MUITO>>astronomia fala das estrelas..literatura vive nas estrelas Ceci

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  8. Aquiles, fico aqui admirando sua fluência, simplicidade, criatividade e entendo melhor o mundo.Quem ama estrelas como você, só poderia devolver belezas a ele! Obrigada por sua escrita.Estou lendo seu livro.
    Com meu carinho e admiração,
    Eloisa Helena

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