CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

16 de dezembro de 2012

UMA HISTÓRIA DE SUCESSO (DE MUITO SUCESSO): Héldice Armond




     ...Ainda menino em Itaperuna-RJ, permanentemente acompanhava minha mãe às missas aos domingos, ou nos dias normais durante a semana. Éramos muito religiosos e continuamos. Num determinado dia, missa acontecendo, hora do ofertório, numa igreja em fase de acabamento, ainda com as escoras do teto por retirar, naquela penumbra dos idos das dezenove horas com iluminação precária, lá vinha o "sacolinha" das ofertas intimando a todos, um a um, quando saí de perto de minha mãe e tentei me esconder para que não visse meus pés, um de meia preta e o outro marrom, sim, pois foi o que consegui de mais próximo de um par completo. Mesmo aos oito anos de idade e me escondendo, aquele escriba foi até onde me escondia para buscar aquela moedinha, ou um "dinheiro" sequer. Estranhando meu comportamento um tanto constrangido, o sacoleiro parou na minha frente e me olhou de cima para baixo, da cabeça aos pés, pois eu não tirava as mãos do bolso, daquela calça-curta que o Rodolfo havia me dado já fazia tempo!... Após o fuzilamento daquele olhar, o "sacolinha" deu uma risada e saiu balançando a cabeça como se estivesse me sacaneando, zombando, porque percebeu as minhas meias trocadas. Elas estavam trocadas sim, não porque me confundi na hora de calçá-las, mas porque meu primo Rodolfo ainda não havia me mandado um par de meias completo. Éramos treze, todos vivos, graças a DEUS,  e eu o 11º (décimo primeiro), minha mãe professorinha primária e meu pai, funcionário do DER. Imaginem que FESTA, mas todos ali juntos com a fé inabalável em DEUS e na Igreja... Naquele momento eu não saberia relatar de que cor fiquei, mas sei que me ardiam as faces e me doía o coração de tão vexado que fiquei. Do fundo de minha alma, alma de criança, prometi a DEUS que um dia seria um homem rico e de tão rico faria uma grande oferta para SUA Igreja, e com ela poderiam se erguer várias igrejas. 

    Hoje, do alto dos meus 55 anos me vejo um homem rico. Sou verdadeiramente um homem muito rico! Pai de um líder espiritual (Padre).

    Dispenso comentar sobre os dias e noites de fome e frio. Dias e noites de apertos, preocupações... Quase loucura! Dias e noites de entrega total à vontade de DEUS. Dias e noites de trabalho e orações...

    Hoje sou um colecionador de tesouros! Herdeiro, sim. Herdei de Tasso Armond e minha querida Margarida Ladeira Armond uma enorme coleção de tesouros que é minha grande família. Eles, Tasso e Margarida deixaram vivos, sadios, inteligentes, bonitos e acima de tudo tementes a DEUS 13 filhos, 34 netos, 23 bisnetos. Uma verdadeira fortuna viva que está aí para honrá-los e bem-dizê-los. E o meu grande tesouro, o maior, o mais precioso e reluzente entregue a DEUS e à Igreja para que se prossiga SUA grande Obra no seio da sociedade e de nossa família, verdadeira coleção de tesouros.

                                                            Obrigado meu DEUS! 

Muito obrigado, seu filho Héldice.





3 comentários:

  1. Meu querido e grande amigo Héldice, seja muito bem vindo ao nosso clube de leitura! Foi com muita alegria que li suas palavras verdadeiras nesse nosso espaço da ficção. Obrigado pela participação!

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  2. A história de vida é uma riqueza especial, ela é única e um pouco solitária. Quando compartilhamos essas emoções elas vão além, trazendo à tona as lembranças de cada um. É maravilhoso poder saber mais uma entre tantas histórias de sucesso, porque estar vivo para relatar e agradecer já é grande vitória.

    Gostei muito de me emocionar aqui. Abraços!

    Sonia Salim

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  3. Amo essas histórias de lutas e sucessos.Parabéns ao Héldice por sua força!
    Elô

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