CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

8 de julho de 2012

Alvo Noturno: Ricardo Piglia (Opiniões Antes e Depois da Reunião)



Pato o conejo?


Antes da Reunião

Bom dia, clube

Achei muito bom o início e o estilo do escritor, caracterizado pela repetição das palavras, tipo: 

"...um forasteiro misterioso perdido num lugar perdido do pampa". 

"Um gringo que não parecia gringo mas era gringo" 

"Mas ele não era um dos nossos, era diferente, só que não foi por isso que o mataram, e sim porque era parecido com o que imaginávamos que deveria ser" "

" Ele parecia vir de outro lugar, só que não há outro lugar". 

"Ao ouvi-lo contar sua vida no bar,,, como se aquilo fosse uma confidência particular". 

Lembrei dos tempos de escola em que eu devorava tudo que era da Agatha Cristie, porém este é um romance policial diferente, o importante nem é encontrar o assassino, mas desvendar os meandros dos relacionamentos e ações numa cidadezinha do campo argentina. Mais introspectivo, mais sinistro, embora não aprofunde muito as questões.

E vocês, o que estão achando?

Beijos,

Rita Magnago

* * * 

Boa tarde, Clube!
 
Achei o livro “Alvo Noturno” sem um centro. Fiquei buscando o protagonista e ele se esquivou o livro inteiro. Acabei percebendo que o que importa não é a história deste ou daquele personagem, mas a história inteira que foi contada. O autor se mostra na obra ao invés de se incorporar neste ou naquele personagem especificamente. Gostei muito das gêmeas idênticas, do detetive meio autista, do delírio do empresário que empreendia seu sonho e buscava sentido nos próprios sonhos, literalmente. Do jornalista clássico do Píglia eu achei bem “dull”. Jornalistas são sempre assim? Gostei de ler um escritor argentino, gostaria de ler autores de outras terras diferentes também para capturar um pouco essa diversidade humana que existe em outras terras. Sem descuidar da cosa nostra, bem entendido, mês sim mês não.

[ ] Evandro

* * * 

Alô Evandro e demais participantes

Apesar de vários distanciamentos, inclusive o físico, li o livro.

Gostei bastante, é uma espécie de miniatura da sociedade argentina da época. Lembra-me "Os tambores silenciosos".

Parece-me que o jornalista se identifica com o autor/narrador, ou vice-versa. 

Que acham?

Durval

* * * 

O titulo original seria blanco noturno, que eh o nome daqueles oculos usados nas malvinas que possibilitam enxergar a noite. Nesse caso, a escolha se explica ao meu ver por ser referencia ao trabalho do detetive que tenta descobrir algo em meio a escuridão dos fatos. Em minha opinião o que mais me chamou a atençao nesse livro foi a presença de elementos tao caracteristicos de nosso tempo: a loucura e os interesses de grupos financeiros como força por tras dos mais variados acontecimentos. O enredo achei meio inconsistente, um crime meio sem sentido, guinadas inverossimeis em personagens: a loucura e descredito fora de contexto do detetive Croce, creditar uma enorme consciencia moral ao personagem Luca (um ermitão, flertando com a loucura, obsecado por uma fabrica/obra sem sentido), condicionar a culpa do Yoshio ao reconhecimento por parte de Luca mesmo havendo uma confissao por parte do joquei que foi ignorada... Enfim. Li diversas resenhas e nao entendi a unanimidade elogiosa ao livro. Um grande abraço a todos!

Wande

* * * 

Bom dia, pessoal

Evandro, também curti muito as gêmeas e o fato de ler um hermano argentino. Quanto ao jornalista, realmente há muitos assim, mas, como em toda profissão, outros se salvam, rsrsrs. Essa coisa do livro não ter um personagem central eu achei diferente e legal, mas às vezes dá a sensação de estarmos meio perdidos na leitura. O Luca, de tão sonhador, ficou um personagem frágil, porém ao mesmo tempo ele sustenta muito a história porque a motivação para a vinda e o extravio do dinheiro vem de sua tentativa desenfreada de salvar a fábrica.

Pena eu não ter lido "Os tambores silenciosos" para poder trocar uma ideia com Durval a respeito, mas concordo que, do meio para o final do livro o autor se identifica com o jornalista.

Wande, legal seus comentários, eu não sabia que o nome daqueles óculos usados nas malvinas que possibilitam enxergar à noite é blanco noturno. Tinha feito uma outra leitura sobre o título, como você viu lá no blog do clube, por isso é super bom o debate, essa troca.
Quanto aos interesses financeiros por trás de tudo, mesmo em uma cidadezinha pacata, é a triste realidade do mundo. 

Abraços,

Rita Magnago

* * * 

Do site: http://www.casa.cult.cu/premios/literario/2012/premios.html 

Blanco nocturno, de Ricardo Piglia (Argentina)

"A partir del crimen, esta novela policíaca muta, crece, y se transforma en un relato que se abre y anuda arqueologías y dinastías familiares, que va y viene en una combinatoria de veloz novela de género y espléndida construcción literaria. El centro luminoso del libro, cuyo título remite a la cacería nocturna, es Luca Belladona, constructor de una fábrica fantasmal perdida en medio del campo que persigue con obstinación un proyecto demencial. La aparición de Emilio Renzi, el tradicional personaje de Piglia, le da a la historia una conclusión irónica y conmovedora. 

"Situada en el impasible paisaje de la llanura argetina, esta novela poblada de personajes memorables tiene una trama a la vez directa y compleja: traiciones y negociados, un falso culpable y un culpable verdadero, pasiones y trampas. Blanco nocturno narra la vida de un pueblo y el infierno de las relaciones familiares". 
(De la nota de contracubierta.)

Ricardo Piglia (Adrogué, Buenos Aires, 1940). Narrador, ensayista y crítico. En 1967 apareció en La Habana (tras haber obtenido mención en el Premio Casa de las Américas) su primer volumen de cuentos, Jaulario, publicado poco después en Buenos Aires con el título de La invasión. En 1975 ganó notoriedad con los cuentos de Nombre falso, pero sin duda fue la novela Respiración artificial (1980) la que le mereció los mayores elogios. Desde entonces ha publicado, entre otros, los cuentos de Prisión perpetua, los libros de ensayos Formas breves (1999) y El último lector(2005), y las novelas La ciudad ausente (1992), Plata quemada (1997) y Blanco nocturno (2010), la cual obtuvo el Premio Rómulo Gallegos en 2011.






"Terminei ontem de ler Alvo Noturno ... Gostei do título, e embora tenha uma ambiguidade de alvo, target, com alvo, claro, achei que está muito mais para o clarão no meio da noite, que acabou com a vida do irmão do Luca - e aí precipitou a situação da 'herança dos Belladona' trazida pelo Tony Duran e consequentemente seu assassinato - e também com a morte do Croce, no final. Achei várias passagens que justificam esse pensamento...

1 - pag 214 ... e naquele instante uma luz viera para cima deles, uma espécie de aparição...eram os faróis altos de um caminhão de fazenda, e Lucio acelerou e com isso salvou a vida de Luca...

2- pag 247, rodapé: O relâmpago que iluminou, com um zigue-zague nítido, minha vida, se eclipsou (ditado por Luca)

3 - pag 248 - Basta um brilho fugaz na noite e um homem se quebra como se fosse feito de vidro.

4 - pag 251 - E quando a noite já cobrira a planície e a escuridão era idêntica à chuva, um feixe de luz passou na frente dele e a claridade circular do farol, como um fantasma branco, tornou a cruzar uma e outra vez em meio às sombras. E de repente se apagou e não houve mais nada além da escuridão." (Rita)


Depois da Reunião


Morning, everybody

Alvo Noturno não arrebatou nossos corações. Uns mal pulsaram, outros sentiram o descompasso da estória, alguns os maus passos do autor e poucos a valia do caminho. Mas no clube, ah no clube, o batuque começou e ganhou força e se avolumou e fez a enamorada taquicardia que buscávamos. Veio depois o maior prazer da leitura. Que rico, que insólito!

As múltiplas visões que temos de uma mesma cena e a compreensão que podemos ter depois, graças a esse olhar do outro, me encantam. 
Beijos a todos,

Rita Magnago

* * * 

Olá todos!

A proposta do nosso Clube é precisamente essa, a leitura coletiva, colaborativa, solidária, em que a leitura de cada um é o constituinte fundamental. Dividimos a percepção da obra lida segundo a capacidade, a sensibilidade e a experiência pessoal de cada um. Saímos da reunião com a sensação de que lemos melhor o livro, com vontade de relê-lo, e aqueles que não conseguiram concluir a leitura obtêm uma nova motivação para continuá-la. Os debates no Clube me ensinaram a sempre contar com a visão do outro na minha maneira de ver o mundo, e a suspeitar de todo discurso muito arraigado a um único ponto de vista. Viva a diversidade e a diferença! Somo todas elas e multiplico a minha compreensão das coisas.

Viva o CLIc!

Evandro

* * *



Um comentário:

  1. wande liparizi filho12 de junho de 2012 23:01

    titulo original seria blanco noturno, que eh o nome daqueles oculos usados nas malvinas que possibilitam enxergar a noite. Nesse caso, a escolha se explica ao meu ver por ser referencia ao trabalho do detetive que tenta descobrir algo em meio a escuridão dos fatos. Em minha opinião o que mais me chamou a atençao nesse livro foi a presença de elementos tao caracteristicos de nosso tempo: a loucura e os interesses de grupos financeiros como força por tras dos mais variados acontecimentos. O enredo achei meio inconsistente, um crime meio sem sentido, guinadas inverossimeis em personagens: a loucura e descredito fora de contexto do detetive Croce, creditar uma enorme consciencia moral ao personagem Luca ( um ermitão, flertando com a loucura, obsecado por uma fabrica/obra sem sentido), condicionar a culpa do Yoshio ao reconhecimento por parte de Luca mesmo havendo uma confissao por parte do joquei que foi ignorada... Enfim. Li diversas resenhas e nao entendi a unanimidade elogiosa ao livro. Um grande abraço a todos!

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