CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

23 de junho de 2014

Ele voltou no Clube de Leitura Jovem - O Apanhador no Campo de Centeio: J. D. Salinger

26/06/2014
Quinta feira
18:00h

Livraria Icaraí





  • Holden Caulfield fica imaginando uma porção de garotinhos brincando num campo de centeio que tem um precipício e só ele por perto pra tomar conta e não deixar as crianças caírem. Assim como Holden, tem alguma maluquice parecida que você gostaria de fazer?
  • A turma jovem está gostando de escolher livros em que o protagonista sofre um breakdown nervoso. A exemplo de "as vantagens de ser invisível", o protagonista acaba sendo internado numa clínica de assistência psicológica. No livro anterior, o trauma de Charlie parece ter sido um abuso sexual por parte da própria tia e no caso de Holden, em o apanhador no campo de centeio, o trauma pode ter vindo da morte prematura de seu irmão Allie com apenas 11 anos de idade. 
  • Se a garota pede pra você parar, como podemos saber se ela quer mesmo que a gente pare ou se ela está com medo das consequências e que, no fundo, o que ela quer é apenas que fique claro que a responsabilidade do que acontecer é toda nossa? 
  • O eixo da história de Holden se forma através dos personagens Allie, Phoebe e as crianças do campo de centeio. Ele não pôde fazer nada por Allie, mas ele não abandonará Phoebe e não quer que nenhum mal aconteça às crianças que brincam no campo de centeio. 



O Apanhador no Campo de Centeio (releitura), de Jerome David Salinger. A reunião ocorreu no dia 06/08/2010.

Que leitura boa o Apanhador no Campo de Centeio! É de um humor juvenil revigorante. Como são belos os jovens revoltados! Uma viagem no tempo... Ah, se eu tivesse lido este livro aos 16 anos! Em vez de “le concierge”, hoje eu seria “le syndic” do Clube de Leitura! 

Na Sexta do Apanhador houve ótimas surpresas, mostrando como o vigor desse livro o mantém atual até os dias de hoje. Ou seja, a obra de Salinger é, definitivamente, um clássico. Mas o vocabulário da tradução, como bem observou o exegeta do clube, é datado. Foi feito um apanhado de todas as gírias usadas no livro e se nota claramente a influência das gírias nacionais na tradução da obra. 
 
O livro mostra que o fenômeno do bullying não é um fenômeno recente nas escolas. Ora, pois, se não for bullying o que a gang de Phil Stabile faz com James Castle no capítulo 22, levando-o a se lançar da janela para a morte. Eu também testemunhei bullying desde que entrei no jardim de infância, lá nos idos de 60! Tinha sempre um valentão na sala que tentava impor sua “lei”. 
 
Meu Deus, que temeridade esses jovens feito folha seca ao vento! Ainda bem que eles têm em si uma força e uma convicção originais que nos escapam a compreensão e que contamos que lhes sejam útil em última instância. Que façam bom uso dela, é o que podemos torcer, e orientar quando possível. A gente tem que confiar um pouco na educação que lhes demos. 
 
What's the size of your mind?” Esqueci de perguntar aos presente como isso foi traduzido, mas é uma questão interessante que é levantado n'O Apanhador ... Cada um dá a sua resposta, mas só de pensar sobre o assunto nos ajuda a nos conhecer melhor. 

Divulgação da EdUFF para a reunião de agosto.
Pelo visto na reunião, teve gente que sabia para onde vão os patos (selvagens) no inverno. Isso para não falar nas referências metonímicas.  

Mr. Antolini, era gay, pedófilo ou agiu paternalmente com Hölden? Seus conselhos me pareceram bons. A gente nunca sabe com certeza o que vai acontecer até que aconteça! Esse tema taboo foi tratado com reserva nas discussões.

Até breve, folks.


 


Um comentário:

  1. Tenho belas e inesquecíveis recordações deste livro.

    Sinto mais uma vez não ter tido a oportunidade de participar da Reunião do mês.

    Saudações carinhosas a todos!

    Lilian

    Inesquecível por assim dizer:

    “Se estão mesmo interessados nisto, então a primeira coisa que devem querer saber é onde é que nasci, e como foi a porcaria da minha infância, o que faziam os meus pais e tudo antes de eu ter nascido, e toda essa treta estilo David Copperfield, mas não estou nada para aí virado, para dizer a verdade. Primeiro, porque é o tipo de coisa que me chateia, e segundo porque os meus pais eram capazes de ter dois ataques cada um se eu me pusesse a contar alguma coisa de mais pessoal acerca deles. São bastante susceptíveis com coisas do género, especialmente o meu pai. São simpáticos e tudo…não é isso, mas também são susceptíveis como o raio. E depois não lhes vou contar a merda da minha autobiografia toda nem nada que se pareça. Vou-lhes contar só aquela história de loucos que me aconteceu o ano passado por volta do Natal antes de me ter ido completamente abaixo e de ter vindo parar aqui para me pôr em forma. Aliás, também foi só o que contei ao D.B. e ele é meu irmão e tudo. Ele está em Hollywood. Não fica muito longe deste sítio merdoso e vem cá visitar-me praticamente todos os fins-de-semana. É ele que me vai levar de volta para casa quando sair daqui, talvez para o mês que vem. Comprou agora um jaguar. Um daqueles brinquedinhos ingleses capazes de dar trezentos à hora. E que não lhe custou muito menos do que quatro mil brasas. Tem massa que se farta, agora. Dantes não. Era um escritor a sério, quando estava em casa. Escreveu aquele livro de contos incrível, O Peixinho Vermelho Secreto, para o caso de nunca terem ouvido falar. O melhor conto era “O Peixinho Vermelho Secreto”. Era sobre um miudito que não deixava ninguém ver o peixinho vermelho dele porque o tinha comprado com o seu próprio dinheiro. Deixou-me sem fala. Agora está em Hollywood, o D.B., a prostituir-se. Se há uma coisa que odeio, é o cinema. Nem quero que me falem nisso.”

    Adoro estes trechos e muitos outros!

    "...Mas, enquanto estava sentado, vi uma coisa que me deixou maluco de raiva. Alguém tinha escrito 'Foda-se' na parede. Fiquei furioso de ódio. Imaginei a Phoebe e todas as outras crianças lendo o que estava escrito: iam ficar pensando que diabo significava aquilo, até que, afinal, algum garoto sujo ia dizer a elas - naturalmente tudo errado - o que queria dizer aquela palavra. E elas todas iam ficar pensando na coisa, e talvez até se preocupando com aquilo durante alguns dias. Me deu vontade de matar o safado que tinha escrito aquilo. Imaginei que devia ter sido algum tarado, que havia entrado escondido na escola tarde da noite, para dar uma mijada ou coisa parecida, e aí tivesse escrito aquilo na parede. Me imaginei pagando o sacana em flagrante e batendo com a cabeça dele nos degraus de pedra, até que ele estivesse todo ensangüentado e bem morto. Mas eu sabia também que não ia ter coragem de fazer um negócio desses. Sabia disso e fiquei ainda mais deprimido. Eu quase não tinha coragem nem mesmo de apagar o troço com a mão, para dizer a verdade. Fiquei com medo de que algum professor me pegasse apagando e pensasse que eu é que tinha escrito aquilo. Mas, finalmente, acabei apagando."

    (...)

    "Desci por outra escada e vi outro 'Foda-se' na parede. Tentei apagar outra vez com a mão, mas esse tinha sido riscado na parede, com canivete ou coisa parecida. Não saía de jeito nenhum. De qualquer maneira, é bobagem mesmo. Mesmo que a gente vivesse um milhão de anos, não conseguiria apagar nem a metade dos 'Foda-se' escritos pelo mundo. É impossível."

    (...)

    "Fiquei sozinho no túmulo. Até que, de certo modo, gostei. Estava tudo tão quieto e agradável. Aí, de repente, vi aquilo na parede. Outro 'Foda-se'. Escrito com lápis vermelho ou coisa parecida, bem embaixo da parte envidraçada da parede, perto das pedras."

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